Por que faz muito sentido Meryl Streep ser a voz de Aslan em ‘Nárnia’
Categoria: Relacionamentos
O papel do leão na criação desse universo e sua ligação com o cristianismo ajudam a entender a escolha de Greta Gerwig.
Por Capricho | 22/09/2026
M eryl Streep será a voz de Aslan em Nárnia: O Sobrinho do Mago , nova adaptação da saga de C. S. Lewis dirigida por Greta Gerwig . Ao explicar a escolha à Empire , que divulgou as primeiras imagens do filme, Gerwig descreveu uma combinação de características que procurava para o papel. “Eu queria alguém que fosse profundo, mas não pretensioso”, afirmou. A diretora também buscava uma pessoa com mais de 70 anos, capaz de transmitir experiência e, ao mesmo tempo, preservar o encantamento de uma criança. Alegria e emoção faziam parte desse retrato tanto quanto a seriedade. View this post on Instagram Para quem conheceu Nárnia pela trilogia lançada entre 2005 e 2010, a referência pode ser a interpretação de Liam Neeson , responsável pela voz original do leão naqueles filmes. Streep assume essa função na versão em inglês da nova produção, que começa em outro momento da história. Continua após a publicidade Publicado em 1955, O Sobrinho do Mago foi o sexto livro da coleção a chegar às livrarias, mas conta os primeiros acontecimentos na cronologia de Nárnia. Muito antes da chegada dos irmãos Pevensie, Aslan usa seu canto para dar origem àquele universo. A voz tem, portanto, uma função central na narrativa. É por meio dela que a criação acontece. Essa passagem também ajuda a entender o interesse de Gerwig pelo projeto. Em declaração divulgada pela Netflix , a cineasta contou que a cena a marcou quando leu o livro na infância. “Essa ideia de um universo criado a partir da música sempre ficou no meu coração”, disse. É possível relacionar esse aspecto da obra à trajetória de Streep. Além do trabalho dramático, a atriz tem experiência em produções nas quais o canto participa da construção dos personagens, como Mamma Mia! e Caminhos da Floresta . Esse histórico oferece uma conexão com o livro, embora Gerwig tenha destacado a experiência e as qualidades de interpretação ao justificar a escalação. Continua após a publicidade A outra parte dessa conversa passa pelo simbolismo cristão de Aslan. Em cartas sobre a saga, Lewis explicou que imaginou como Cristo poderia se manifestar em um mundo de animais falantes. Em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa , essa relação aparece especialmente no sacrifício do leão para salvar Edmundo e em sua ressurreição. Já O Sobrinho do Mago destaca seu papel na criação do mundo. Isso exige uma distinção: Aslan é apresentado como um leão masculino nos livros, mas o gênero de quem empresta a voz a um personagem não determina, por si só, sua identidade na história. A escalação de uma atriz, isoladamente, não permite concluir que ele tenha sido transformado em uma personagem feminina. A discussão sobre a representação do divino também tem espaço dentro do próprio cristianismo. O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 239, afirma que Deus transcende a distinção humana entre os sexos e explica que tanto imagens paternas quanto maternas podem expressar seu cuidado. Essa referência oferece contexto para compreender uma voz feminina as