‘Por Você’ dá a resposta perfeita à polêmica da nova música de Ana Castela
Categoria: Relacionamentos
Novela mostra a violência e os sonhos de jovens da periferia antes de colocar a comunidade inteira para dançar
Por Capricho | 23/09/2026
“Ela não estava fazendo nada de errado. Ela só estava vivendo.” A fala de Suelen ( Bia Santana ) sobre a amiga Tamara ( Emilly Amaral ), baleada durante a gravidez, resumiu o conflito que marcou Por Você nesta terça-feira (22). Em um capítulo que terminou com os jovens da comunidade dançando ao som de Rap da Felicidade , a novela mostrou como o pedido do refrão está presente na vida de suas personagens (e de tantos jovens que se reconhecem neles). A música conhecida na voz de Cidinho e Doca entrou em debate em agosto desse ano, quando Ana Castela , Rincon e DJ Boss lançaram Não é Pressa, é Pressão . A faixa aproveita a melodia e a estrutura do refrão, mas substitui o desejo de andar tranquilamente na favela por referências a uma Dodge Ram, à festa de Barretos e à bebida. As críticas à releitura se concentraram na total perda de nuances na versão sertaneja. View this post on Instagram Agora, a música volta em outro contexto. Antes de ser atingida, Tamara conversa sobre o nome da filha, Helena, e comemora as primeiras roupinhas que conseguiu comprar para a bebê. Até então, tudo tinha vindo de doação. São detalhes que permitem conhecer suas expectativas e tornam tudo ainda mais brutal. Havia um futuro sendo imaginado naquela conversa entre mulheres. Continua após a publicidade Mais tarde, quando Suelen insiste que a amiga “só estava vivendo”, lembra que ela deveria poder fazer tudo aquilo sem correr o risco de ser baleada. A discussão ganha força quando Dalila ( Lívia Silva ) chama o ocorrido de tragédia e ouve uma pergunta: “Tragédia é o que acontece sempre com as mesmas pessoas, no mesmo lugar?” View this post on Instagram Continua após a publicidade Mesmo depois de Tamara e Helena serem salvas, o medo continua com Suelen. Ao ver uma pipa no céu, ela se lembra do instante anterior ao disparo e estranha que a vida ao redor tenha seguido. “Sei lá, parece que tudo continuou como se nada tivesse acontecido. Não é doido isso?”, pergunta a Dalila. A amiga fala sobre continuar sorrindo, soltando pipa e acreditando na vida apesar da dor. “É exatamente isso que faz a gente ser humano. Continuar acreditando na vida, apesar de tudo. Isso ninguém vai tirar da gente.” Continua após a publicidade A conversa prepara a entrada da música. Dalila propõe que as duas gravem um vídeo, outros jovens se juntam à dança pela comunidade e a sequência termina com todos cantando em coro. Depois de um capítulo em que circular pelo bairro significou estar exposto à violência, a novela mostra aqueles personagens ocupando as mesmas ruas para se divertir. É nesse encontro entre a história e a letra que a escolha da trilha é perfeita. O desejo de andar tranquilamente pela favela é de Suelen, Dalila, Tamara, Peixe e de tantos jovens que assistem a novela e se reconhecem nesses personagens. A coreografia preserva algo que também faz parte do funk: a possibilidade de dançar uma música que fala de problemas sociais. A alegria de estar entre amigos não apaga a indignação de Suelen. As