Jovens têm dificuldade de reconhecer abuso digital no namoro
Categoria: Relacionamentos
Cobrar acesso às senhas e monitorar a localização pode parecer preocupação, mas também pode ser uma ferramenta de controle que leva à violência.
Por Capricho | 01/10/2026
S e você confia em mim, por que não me passa sua senha?” Uma cobrança como essa pode aparecer disfarçada de prova de amor, confiança e até fidelidade, né? Assim como a exigência de responder às mensagens na hora ou compartilhar a localização o tempo todo. O problema é que essas atitudes podem fazer parte de uma dinâmica de controle — e nem sempre são reconhecidas dessa forma por quem está vivendo a relação. Esse é um dos pontos de alerta de uma análise publicada no Journal of Online Trust and Safety , ligado à Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Assinado pela pesquisadora Nina Jane Patel, o artigo reúne entrevistas com dez especialistas de organizações que trabalham com prevenção da violência e apoio a vítimas em dez países, incluindo o Brasil. A CAPRICHO teve acesso exclusivo aos dados. “O que mais chama a atenção é que a tecnologia se tornou mais uma ferramenta dentro de uma dinâmica maior de violência psicológica e controle”, pontua Bia Diniz, fundadora e presidente da ONG Cruzando Histórias e uma das especialistas ouvidas no estudo à CAPRICHO. ” A pessoa pode sair de casa, terminar a relação ou bloquear um número e, ainda assim, continuar sendo acessada, monitorada ou intimidada por outros perfis, contas ou pessoas intermediárias.” Segundo os profissionais ouvidos, jovens de 16 a 24 anos têm dificuldade para identificar que esse tipo de atitude pode ser considerada abuso digital nos relacionamentos. O trabalho analisa as experiências relatadas pelos especialistas, sem medir quantos jovens passam por essas situações. As organizações participantes também integram o programa Abuso Não É Amor, da YSL Beauty. Continua após a publicidade Uma das principais questões levantadas é como a vigilância pode virar parte da rotina do casal. A cobrança para saber onde você está, quem curtiu sua foto ou com quem conversou vai sendo tratada como algo esperado de um namoro. Aos poucos, prestar contas de tudo pode parecer uma obrigação. É cada vez mais necessário falar sobre a construção de relacionamentos saudáveis, especialmente com os jovens. Perguntar: você se sente segura? Você se sente tranquila? Você sente paz no seu relacionamento? Bia Diniz, da ONG Cruzando Histórias. Mas, importante lembrar: compartilhar algo por vontade própria é diferente de ceder por pressão, medo de uma briga ou ameaça. Quando a outra pessoa exige acesso às suas conversas, determina quem você pode seguir ou tenta controlar suas publicações, sua autonomia está sendo restringida e é preciso atenção, ok? Continua após a publicidade “Muitos comportamentos ainda são romantizados. O ciúme ainda é visto como prova de amor e existe uma confusão entre relacionamento e posse”, afirma Diniz. “Por isso, é cada vez mais necessário falar sobre a construção de relacionamentos saudáveis, especialmente com os jovens. Perguntar: você se sente segura? Você se sente tranquila? Você sente paz no seu relacionamento?” A análise também aponta uma difi