Psicanalista analisa ‘Prólogo’, nova música de NandaTsunami
Categoria: Relacionamentos
Na faixa, a cantora transforma o fim de uma relação em uma reflexão sobre aquilo que projetamos no outro e o que é nosso.
Por Capricho | 04/10/2026
D esde que NandaTsunami apareceu como uma das vozes mais promissoras do rap feminino, fãs apontam que muitas ideias e posicionamentos trazidos por ela carregam conceitos ligados à psicanálise. Segundo eles, a cantora traz um “olhar terapêutico” em suas letras e isso cria uma conexão especial com garotas, que também estão no processo de cuidar e priorizar a autoestima e a saúde emocional. A pedidos da CAPRICHO, o psicanalista Kályton Resende analisou ‘Prólogo’, nova música de NandaTsunami, lançada na última semana, que chamou atenção da internet pela sua mensagem poderosa. O especialista explica os trechos em que a cantora fala de projeção e desejo. Agora, confira a análise do psicanalista sobre a letra de NandaTsunami “O que eu amei em você era algo que não era seu” Segundo Kályton, o prólogo de NandaTsunami quer dizer: “Se é pra viver essa vida sozinha como eu vim ao mundo, que seja ao lado de alguém, mas nunca de qualquer um”. Ela começa a letra dizendo que estava chorando e lembrando da pessoa. E aí ela percebe que todo aquele amor era dela, na verdade. “Nós sempre nos apaixonamos por alguma coisa que inventamos do outro e escolhemos, inconscientemente, esse outro que poderia ser qualquer outro, embora nunca seja qualquer um”, explica. Continua após a publicidade O psicanalista diz também que não nos apaixonamos necessariamente pelo outro inteiro, mas por “retalhos” que identificamos nele e nos quais investimos emocionalmente. “Seja um cabelo , um ombro, uma perna, uma mão, o estilo, a roupa, o jeito de andar ou a voz”, exemplifica. A cantora, por exemplo, fala que havia alguma coisa no olhar do outro que chamava sua atenção. “Só que era um reflexo e que tinha a ver com a fantasia dela e que ela depositou naquele corpo, por acaso. Inclusive, para fechar com chave de ouro, aquilo que ela amou naquela pessoa talvez nem fosse da pessoa. Era dela.” O “Sol” como aquilo que ela leva consigo NandaTsunami traz um metáfora do sol para contar quando a outra pessoa quebra a fantasia e, então, ela percebe que a relação não era a fonte daquilo que havia de bom em sua vida. Era o oposto: era ela quem levava essa luz para a relação. Continua após a publicidade O psicanalista explica: “É como se ela dissesse: ‘Isso aí que você está chamando de sorte sou eu na sua vida ruim. E ela vai voltar a ser só chuva, porque eu estou levando o sol comigo. Aonde eu for, o sol vai brilhar, porque é de mim. O sol me persegue, é de mim. De você é só chuva. É de você ser isso. Então vai buscar abrigo. Se prepare’.” A ideia de “hospedeira” Para Kályton, existe uma diferença entre ser transformado por alguém e simplesmente sugar algo do outro. No primeiro caso, uma relação pode nos apresentar uma ideia, uma possibilidade ou uma maneira de enxergar o mundo que incorporamos e transformamos em algo nosso. É o que ele chama de pegar um “retalho” do encontro e “costurar” em nós. “Nós somos compostos