QuitérIA: conheça a IA feminista que acompanha seus direitos no Congresso
Categoria: Relacionamentos
Ferramenta gratuita do Instituto AzMina ajuda a entender como propostas de deputados e senadores afetam meninas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+
Por Capricho | 17/10/2026
O que o Congresso tem a ver com o absorvente disponível na escola, a proteção contra violência na internet ou o combate ao assédio? Mais do que pode parecer. Decisões tomadas por deputados e senadores podem mudar tudo isso — e acompanhar tantas propostas nem sempre é simples. Foi para facilitar esse caminho que o Instituto AzMina desenvolveu a QuitérIA, uma inteligência artificial feminista que analisa projetos de lei e identifica possíveis avanços ou ameaças a direitos. “Políticos produzem centenas de projetos todos os dias, mas nem sempre é fácil e rápido entender quais podem ampliar nossos direitos e quais podem representar retrocessos”, explica Maria Ísis Santos, coordenadora de projetos do Instituto AzMina à CAPRICHO . “Isso também importa para adolescentes, que têm o direito de entender as decisões que afetam seu presente e seu futuro. A política decide muita coisa sobre a nossa vida, mesmo quando parece distante da gente.” A tecnologia integra o projeto Elas no Congresso, iniciativa que monitora propostas relacionadas a gênero apresentadas desde 2019. Depois de uma fase-piloto iniciada em novembro de 2025, a ferramenta ganhou aprimoramentos e foi disponibilizada gratuitamente ao público na última quinta-feira (15), com o relançamento da plataforma. Continua após a publicidade “A gente fica de olho em projetos que falam de proteção contra abuso e exploração sexual de meninas, violência na internet, exposição de dados pessoais, trabalho infantil, acesso à educação e muitas políticas públicas específicas para adolescentes, como o acesso gratuito a absorventes e dignidade menstrual, o combate à discriminação e ao assédio nas escolas, o acesso à contracepção, prevenção da gravidez não planejada e muitas outras coisas”, complementa Santos. O monitoramento também revelou um dado que chama a atenção: foram apresentados 2.036 projetos de lei relacionados a questões de gênero desde fevereiro de 2023, um crescimento de 83% em relação à legislatura anterior , de fevereiro de 2019 a janeiro de 2023. O acervo informado pelo instituto reúne textos analisados até abril de 2026. Continua após a publicidade Mas esse aumento, sozinho, não significa que os direitos estejam mais protegidos. É preciso entender o que cada proposta pretende mudar. “Com as informações da QuitérIA, jornalistas podem produzir reportagens, organizações podem fazer campanhas e pesquisadoras podem investigar o que acontece no Congresso. Mas eu vou mais além: adolescentes também podem usar esse conhecimento para entender melhor as notícias, questionar o que ouvem e participar das discussões sobre o país em que querem viver”, aponta a coordenadora de projetos. Mais projetos, mas em qual direção? Segundo a classificação utilizada pelo Instituto AzMina, 77,3% dos projetos analisados entre 2023 e 2026 foram considerados favoráveis aos direitos de mulheres, meninas e pessoas LGBTQIAPN+, enquanto 22,7% foram avaliados como desfavoráveis. A diferença aparece