‘Psicose política’ é o termo que explica e diverte com tensão coletiva nas eleições
Categoria: Relacionamentos
Sentir ansiedade diante das eleições não é sinônimo de psicose – isso é outra coisa. Entenda a diferença e como acompanhar as notícias sem se sobrecarregar.
Por Capricho | 22/10/2026
Continua após a publicidade D ebates acalorados, notícias que não param de chegar e preocupação com o futuro: acompanhar uma eleição pode mexer com as emoções. Mas será que faz sentido chamar esse sentimento de “psicose política”? A expressão não deve ser confundida com um diagnóstico — e sentir ansiedade ou indignação diante da política não significa estar em psicose. Com a proximidade do segundo turno, marcado para 25 de outubro, vale conversar sobre como atravessar esse período sem deixar a saúde mental em segundo plano. O primeiro passo é diferenciar o sofrimento provocado pelo cenário político dos sintomas que caracterizam a psicose (mas é super ok usar memes e fazer brincadeiras bem-humoradas com os amigos para aliviar a tensão, ok?). Continua após a publicidade Afinal, o que é psicose? Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH), psicose é um conjunto de sintomas que envolve alguma perda de contato com a realidade. A pessoa pode ter dificuldade para reconhecer o que é real e apresentar delírios, alucinações e alterações na organização do pensamento e da fala. Esses sintomas podem ocorrer em diferentes condições e precisam de avaliação profissional. Isso é diferente de discordar de alguém, ficar indignada com uma notícia ou querer se afastar das redes. Também não é adequado usar o termo para desqualificar a posição política de outra pessoa. Continua após a publicidade E a chamada “psicose política”? No contexto descrito pela especialista em psicanálise Laura Moura, a expressão é usada para tentar nomear o desconforto com o cenário político. Ela ressalta, porém, que isso não corresponde a um diagnóstico. “Não é um diagnóstico real. É possível reconhecer que há uma tensão nesse momento, mas esse diagnóstico não é reconhecido.” Continua após a publicidade Para Moura, a expressão pode estar relacionada à dificuldade de lidar com acontecimentos políticos que provocam estranhamento, insegurança e medo. Essa é uma interpretação sobre o uso do termo, e não uma explicação clínica para a psicose. “Como tudo isso está sendo vivido de forma intensificada, junto de muito medo e muita angústia, as nossas referências estão sendo abaladas”, afirma. A preocupação com decisões que podem afetar nossos direitos e planos para o futuro merece ser acolhida. Mas não é possível concluir, a partir dessas emoções ou de uma postagem nas redes, que alguém tenha um transtorno mental. Continua após a publicidade Por que essa associação exige cuidado? Usar “psicose” como sinônimo de estresse, exagero ou discordância pode banalizar o sofrimento de quem apresenta sintomas psicóticos e reforçar preconceitos. Para Moura, também existe o risco de transformar reações ao contexto social em supostos sinais de doença. “O risco é de patologizar uma reação comum de movimento de massas e comportamento social, quando, na verdade, estamos tentando organizar todo o medo sentido. E isso é bem lúcido, na verdade.” Isso não significa que o sofrimento deva ser ign