‘Fui mesária em um 2º turno inédito e tumultuado nas eleições do Brasil’
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Situação inesperada deste domingo (25) revelou a importância da comunicação nas decisões que envolvem o processo democrático.
Por Capricho | 26/10/2026
F ui convocada para ser mesária pela terceira vez nestas eleições gerais . Isso significa que, não havendo uma justificativa plausível para me abster, preciso trabalhar nos dois turnos das 7h às 17h, sem ganhar nada a não ser folgas no trabalho. Desta vez, fui presidente de mesa receptora de votos, o cargo considerado mais importante , que coloca sua assinatura em vários documentos e é responsável pela urna eletrônica no local de votação. O domingo de segundo turno na minha seção, que já é considerada tranquila em uma escola estadual na cidade de São Paulo (SP), foi igualmente calmo. Um único número a ser digitado na urna evitou aglomerações, filas e possíveis constrangimentos, diferente do primeiro turno, em que a maior quantidade de cargos a serem votados gerou confusões (e esquecimento) de números. Fiquei tocada pelos jovens levando avós, inclusive aqueles que têm mobilidade reduzida, para exercerem seu direito democrático. E também foi emocionante acompanhar esses mesmos idosos preocupados com o futuro dos que vieram depois deles. O único momento mais tenso foi quando as urnas estavam prestes a serem fechadas. Pouco antes das 17h, uma senhora, ainda dentro da escola, esperava um motoboy trazer o documento com foto que tinha esquecido em casa. Não poderíamos encerrar os trabalhos antes de ela votar, uma vez que a eleitora já se encontrava nas dependências internas do colégio, e assim fizemos. Continua após a publicidade Nesse momento, voluntários do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nos orientaram a já agilizar os protocolos de encerramento, porque, assim que o documento chegasse para a última pessoa votar, ficaria mais fácil e rápido de entregar a urna. Com tudo isso acontecendo, não estava atenta às notícias nas redes sociais, mas recebi uma mensagem da minha mãe dizendo que ambos os candidatos à presidência tinham pedido a prorrogação do horário de votação para às 19h. Cheguei até a comentar a situação com meus colegas mesários, porém não recebemos nenhuma instrução da organização da zona eleitoral. Prosseguimos com o que pede o término da votação. Imprimimos os boletins de urna e outros papéis necessários, retiramos a mídia de resultados, assinamos tudo e estávamos prontos para entregar a urna na caixa. Isso era 17h05, quando recebi outra mensagem da minha mãe dizendo que, na ausência de ação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o Supremo Tribunal Federal (STF) – corte máxima do país – tinha determinado o adiamento do horário de votação. Pensei: “E agora?”. Continua após a publicidade A fila para entregar as urnas não andava e fui me informar com os voluntários do TRE presentes. “O que está acontecendo? Quem chegar agora vai poder votar? Vai ter voto impresso?”. Apesar de terem cogitado, sim, o voto impresso para quem chegasse para votar após às 17h, a verdade é que ninguém tinha nenhuma informação concreta, apenas dúvidas. Era um fenômeno inédito. Um breve contexto para você O fechamento das urnas neste domingo (25