A rede social pode te deixar ainda mais triste em momentos de crise
Categoria: Relacionamentos
Estudo da Universidade da Califórnia diz que algoritmo pode colocar o usuário em uma exposição repetida ao sofrimento e em contato com conteúdos nocivos.
Por Capricho | 26/10/2026
V ocê já usou o TikTok como um consolo quando passou por alguma situação difícil, como um término de relacionamento ou algum problema com a família ou no trabalho? Você rola o feed para se distrair e, de repente, não param de chegar conteúdos que parecem conversar com o que você está sentindo. É aquele depoimento de alguém vivendo algo semelhante ou um conselho perfeito para sua tristeza. Tudo isso pode dar a sensação de conforto e apoio, mas o algoritmo da rede social não é um ombro amigo tão legal como imaginamos, de acordo com uma análise realizada pela Universidade da Califórnia (UCLA) , em Los Angeles. Após analisarem mais de 8 mil vídeos na plataforma, os pesquisadores apontaram que, na verdade, passar mais tempo rolando o feed pode piorar o estado emocional. Isso porque o algortimo das redes não diferencia apoio emocional de conteúdo nocivo. O estudo classifica os conteúdos em “potencialmente apoiadores” aqueles que apresentam conselhos profissionais ou estratégias de enfrentamento, e “potencialmente prejudiciais”: vídeos que propagam autodiagnóstico, positividade tóxica, desinformação e suicídio/automutilação. Continua após a publicidade Acontece que, quando o usuário pede ajuda ou cita um problema emocional na busca da plataforma ou consome conteúdos sobre isso, ele deixa rastros no perfil, e o algoritmo entende que deve continuar recomendando vídeos sobre o assunto. E você nem precisa buscar sobre o assunto para isso acontecer, viu? Só de assistir por algum tempo, já gera esse efeito. Segundo o estudo, 45% de todas as recomendações diárias do usuário ocorrem a partir de pouca interação. Nessa onda de vídeos sobre esse determinado problema ou situação, aparecem conteúdos legais, mas também surgem inflitrados aquelas publicações que não têm base científica ou até tratam sobre suicídio e automutilação – as “potencialmente prejudiciais”. A análise mediu que, ao chegar ao 40º vídeo da sessão, entre 98,5% e 100% de todas as contas haviam recebido pelo menos um vídeo com potencial de dano. Continua após a publicidade Os autores alertam que a exposição repetida e focada a conteúdos que normalizam o sofrimento ou promovem autodiagnósticos sem critério pode agravar a depressão e desencadear ideação suicida, em vez de promover a recuperação, já que o algoritmo cria uma espécie de “bolha” que prende o utilizador a consumir repetidamente vídeos com a mesma carga emocional . Procurado pela reportagem da Folha de S.Paulo, o TikTok contestou a metodologia do estudo. “Este experimento foi elaborado para chegar a uma conclusão predeterminada e não representa a experiência típica do usuário. Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para remover mais de 99% dos vídeos que violam as diretrizes, antes mesmo de serem visualizados”, afirmou a empresa ao jornal. + Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui. Continua ap