Família processa OpenAI após morte de filha que teria seguido conselho do ChatGPT
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Pais de engenheira de 31 anos afirmam que o chatbot a orientou a abandonar medicamento para epilepsia; empresa diz que ferramenta não substitui atendimento.
Por Capricho | 30/10/2026
C onsultar o ChatGPT sobre uma dúvida de saúde pode parecer tão simples quanto pedir ajuda com uma tarefa da escola, né? Mas uma resposta convincente não é sinônimo de uma orientação segura – e sabemos que você, leitor e leitora de CAPRICHO, faz uso recorrente da ferramenta. Mas um processo contra a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, chama atenção para os riscos de usar inteligência artificial para tomar decisões, especialmente envolvendo questões de saúde. Nos Estados Unidos, os pais de Bowen Wan, uma engenheira de software de 31 anos que trabalhava na Amazon , acusam o chatbot de orientar a filha a interromper o uso de um medicamento para epilepsia antes de sua morte, em fevereiro de 2026. A ação foi apresentada em 27 de outubro, em São Francisco, nos Estados Unidos, contra a OpenAI e Sam Altman. Continua após a publicidade Em posicionamento ao jornal estadunidense New York Times , a OpenAI lamentou o caso e afirmou que ele envolvia uma versão antiga do ChatGPT, que já não está disponível. A empresa declarou que modelos mais recentes “reconhecem melhor situações que exigem atenção urgente” e reforçou que o chatbot não substitui atendimento médico. Na petição disponibilizada pelos advogados , os pais afirmam que o modelo GPT-4o elaborou um plano para Bowen reduzir a lamotrigina até abandonar o medicamento. Continua após a publicidade A reportagem do The New York Times afirma que, quando um neurologista indicou uma dosagem diferente da desejada pela paciente, o sistema da Open AI sugeriu que ela aceitasse a prescrição e reduzisse a quantidade por conta própria, sem informar o médico. Quando ela relatou sintomas e demonstrou preocupação, o chatbot teria interpretado os sinais como parte de uma recuperação. A acusação também diz que a ferramenta a incentivou a esconder a mudança dos médicos e elogiou sua recusa a um exame de sangue. Continua após a publicidade Segundo o documento, a perícia apontou morte súbita inesperada em epilepsia, conhecida pela sigla médica SUDEP. A petição também relata uma concentração do medicamento no sangue abaixo da faixa terapêutica indicada pelo laboratório. Continua após a publicidade E por que esse caso merece atenção? Uma conversa acolhedora e cheia de explicações pode transmitir confiança. Só que isso não transforma uma resposta de IA em avaliação médica — especialmente quando envolve mudar doses ou interromper um tratamento. No caso da lamotrigina, o NHS, serviço público de saúde britânico , orienta manter o uso pelo período indicado pelo médico. Quando a suspensão é recomendada pelo profissional, a dose geralmente precisa ser reduzida de forma gradual, seguindo suas instruções. Continua após a publicidade A lamotrigina é disponibilizada pelo SUS para o tratamento da epilepsia e do transtorno afetivo bipolar tipo I, seguindo os critérios dos protocolos clínicos do Ministério da Saúde. Seu uso depende de prescrição e acompanhamento médico. Já a inteligência artificial tem regras para ser utiliza