‘Big Disgrace’ é o caos pop que vai te fazer sentir orgulho de ser queer
Categoria: Relacionamentos
Álbum de estreia de Haute & Freddy mistura synthpop, teatralidade e catarse para celebrar quem se sente estranho
Por Capricho | 30/06/2026
E m Big Disgrace , álbum de estreia da dupla Haute & Freddy , tudo parece estar no volume máximo: os sintetizadores, os vocais teatrais, os figurinos e a vontade de fazer do estranhamento um espetáculo. É um disco que soa como uma pista de dança montada dentro de um circo. Formado por Michelle Buzz e Lance Shipp , o duo aposta em um pop cheio de personalidade para criar um universo próprio. A estética de Haute & Freddy passa por referências à realeza, humor absurdo e uma comunidade de fãs que ganhou até nome: a Royal Court. O título Big Disgrace , algo como “grande desgraça” em tradução livre, já entrega parte da provocação. A expressão pode ser lida como uma resposta irônica à forma como identidades queer foram historicamente tratadas por conservadores: como escândalo, vergonha ou algo que deveria ficar fora de cena. Haute & Freddy pegam essa ideia e fazem dela matéria-prima para um álbum cheio de orgulho. View this post on Instagram Sonoramente, o disco pode lembrar nomes como Chappell Roan e Eurythmics , principalmente pela mistura de batidas oitentistas e vocais bem performáticos. Mas Big Disgrace não tenta soar discreto ou polido demais. A graça está na sensação de que tudo foi pensado para ser excessivo: mais teatral, mais brilhante, mais estranho e mais divertido do que o pop costuma se permitir. Continua após a publicidade A abertura com “Symphony For A Queen” apresenta esse universo de cara. A faixa tem clima circense, vocais grandiosos e uma construção que parece anunciar a entrada de uma personagem em cena. Na letra, a imagem de um pássaro preso em uma gaiola, exótico e coberto de renda, sintetiza a vontade de ser visto e reconhecido mesmo quando o mundo tenta limitar o que pode ou não ser mostrado. Essa lógica aparece de novo em “Scantily Clad”, uma das faixas mais importantes para entender a mitologia da dupla. A música brinca com figuras como a rainha, o papa e a corte reagindo ao choque de alguém “pouco vestido”. A provocação é quase caricatural. O corpo vira escândalo e o constrangimento dos outros vira parte da piada. É nesse ponto que Big Disgrace se aproxima de uma vivência queer sem precisar explicar tudo de forma didática. O disco entende que, para muita gente, existir com liberdade já foi tratado como exagero. Amar, se vestir, dançar, performar e chamar atenção podem parecer gestos simples, mas também carregam um peso quando se fala de corpos e identidades que sempre foram cobrados a se controlar. Haute & Freddy respondem a isso com muito deboche e refrões para cantar alto. Continua após a publicidade Em “Freaks”, todas as garotas bonitas e todos os garotos bonitos são chamados assim. A palavra, que poderia funcionar como ofensa, aqui é identidade. Depois da meia-noite, quando as máscaras sociais caem, todo mundo pode se permitir ser mais estranho. A pista de dança aparece como esse lugar em que a norma perde força e a esquisitice deixa de ser um problema. View this post on Instagram A mesma energia aparece e