Quem disse que o futuro dos jovens não pode estar no campo?
Categoria: Relacionamentos
Em meio ao desafio de atrair novas gerações para o agronegócio, estas duas jovens querem conquistar seu espaço e construir o futuro da fazenda da família
Por Capricho | 06/11/2026
A CAPRICHO recebeu um convite diferente em outubro. Nada de show, novo festival de música ou desfile de moda. Dessa vez, fomos conhecer uma fazenda referência em boas práticas produtivas, agricultura regenerativa e a pecuária leiteira de baixo carbono. Localizada em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba, Minas Gerais, a Fazenda Alagoas tem uma produção diária de leite de pouco mais de 8.600 litros ‒ para quem não é do ramo, como nós, vale dizer que essa é uma quantidade significativa, viu? Para alcançar esse resultado, os produtores e proprietários da terra, Gilson Pereira Cardoso e Juliana Cardoso, investiram em novas tecnologias e técnicas para o bem-estar dos animais, estrutura e gestão. Foi a filha mais velha do casal, Julia Alves Cardoso , que ficou responsável por mostrar aos visitantes e à imprensa o que tem de mais especial na fazenda. A primeira parada do tour foi o bezerreiro – local específico para alojar e cuidar dos animais recém-nascidos com um controle sanitário rigoroso. A jovem de 20 anos comemora, com orgulho, o fato da propriedade da família contar agora com o “berçário”, que diminuiu o número de morte dos animais nos primeiros dias de vida, causadas por doenças. A novidade também acabou com outra preocupação muito recorrente para ela: “Não gostava de ir dormir no quentinho e lembrar que eles estavam na chuva ou passando frio”, conta. Continua após a publicidade Foi esse contato e carinho de Julia com os animais da fazenda que fez com que ela escolhesse o curso de Medicina Veterinária em 2024. Na faculdade, ela encontra na teoria muitas das experiências que já viveu na prática. “ É muito gratificante perceber que você está trabalhando e que está fazendo certo. A sustentabilidade faz muita diferença. É muito bom ver que o professor está ensinando algo que já está sendo colocado em prática”, afirma à CAPRICHO. O caminho oposto, da teoria para a prática, também é muito enriquecedor. Julia pretende aproveitar os conhecimentos adquiridos na graduação, como novas tecnologias e técnicas, e levá-los para a fazenda. “E stou em um grupo de estudos de ruminantes [mamíferos herbívoros que se caracterizam por mastigar novamente o alimento que retorna do estômago, como as vacas] para aprender um pouco mais, inclusive sobre possíveis doenças e novos cuidados. É uma área pela qual realmente me encanto”, diz. A irmã mais nova, Caroline Alves Cardoso, tem apenas 15 anos, mas já tem uma carreira que faz seus olhos brilharem: a pediatria . Apesar de não estar ligado a alguma atividade na fazenda, ela garante que, quando começar a trabalhar com Medicina no futuro, vai continuar separando um tempo para ficar com os animais. “Jamais penso em largar isso”, afirma referindo-se à propriedade da família e à vida rural. Continua após a publicidade Eu gosto muito de ser jovem aqui [na fazenda]. Sinto que não existe tanta pressão, mas também sei que é algo sério. Não é que eu venha para o cam