Em ‘Confessions II’, Madonna olha para trás sem ficar presa ao passado
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O 15º álbum de estúdio da cantora dá sequência a Confessions on a Dance Floor, lançado em 2005
Por Capricho | 03/07/2026
Q uando Madonna lançou Confessions on a Dance Floor , em 2005, ela reafirmava a pista de dança como sinônimo de liberdade. Mais de 20 anos depois, Confessions II chega com uma missão delicada. Afinal, como revisitar um dos momentos mais celebrados da própria discografia sem transformar tudo em uma tentativa óbvia de repetir o passado? A resposta vem logo nos primeiros minutos do disco. Madonna não parece interessada em fazer cosplay de 2005. Agora, a festa também carrega luto, família, memória, reconciliação e uma vontade muito clara de recuperar o controle. O resultado é seu trabalho mais coeso em anos e, talvez, o mais confortável desde o primeiro Confessions . O álbum funciona em formato non-stop , com as faixas conectadas como um set de DJ. A escolha ajuda a criar a sensação de que Confessions II não quer ser ouvido como uma coleção de singles isolados, mas como um projeto completo. A abertura com I Feel So Free já apresenta a tese do projeto: a dance music não é superficial, nem escapismo vazio. Nas mãos de Madonna, ela sempre vira comunidade. Em vez de tentar correr atrás do som do momento, como aconteceu em alguns trabalhos anteriores, Madonna parece entender que seu lugar mais forte não está em perseguir tendências, mas em lembrar que muita coisa que hoje chamamos de tendência já passou por ela antes. Com Stuart Price de volta à produção, o álbum reencontra a precisão da rainha do pop. Continua após a publicidade O título Confessions II poderia facilmente cair na armadilha da nostalgia. Só que o disco escapa disso ao olhar pra trás sem ficar preso ao passado. Tem um pouco da Madonna mais clubber dos anos 1980, da fase mais espiritualizada de Ray of Light e até de momentos mais confessionais da sua trajetória. Danceteria é um dos pontos altos. A faixa olha para a Nova York que formou Madonna, para os clubes, os amigos, os artistas e a energia de uma cena que a moldou antes do mundo inteiro entender o tamanho do fenômeno que nascia ali. Continua após a publicidade No disco, Madonna conversa com uma nova geração, inclusive na parceria com Sabrina Carpenter em Bring Your Love , mas não se diminui para tentar isso. A colaboração funciona porque Sabrina entra no universo da Madonna, e não o contrário. Se a primeira parte do álbum se apoia mais na euforia, a segunda metade deixa as confissões mais evidentes. É quando Madonna permite que o brilho da pista seja atravessado por temas mais íntimos. Fragile surge como um dos momentos mais sensíveis, com a cantora lidando com luto e vínculos familiares de forma menos blindada. The Test , parceria com Lourdes Leon , também segue esse caminho. Confessions II não é um disco perfeito. Em alguns momentos, a duração pesa, e nem toda faixa tem a mesma força. Também não há aqui um hit imediato do tamanho de Hung Up . Mas talvez esse nem seja o objetivo. O novo álbum funciona mais como experiência do que como caça ao single definitivo. Continua após a publicidade Depois de tantas reinvenções, personagen