‘Esse foi meu Heartstopper’: obras LGBTQ+ que marcaram outras gerações
Categoria: Relacionamentos
Com a despedida de Nick e Charlie, jovens adultos relembram filmes, séries e novelas que os ajudaram a se entender
Por Capricho | 08/07/2026
C om folhinhas desenhadas na tela e um romance adolescente tratado com delicadeza, Heartstopper se tornou uma das histórias LGBTQ+ mais importantes para uma nova geração. Agora, esse ciclo se encaminha para o fim: o sexto e último volume da HQ de Alice Oseman chegou às livrarias brasileiras essa semana, enquanto o filme Heartstopper: Para Sempre estreia na Netflix em 17 de julho para encerrar a trajetória de Nick Nelson e Charlie Spring. Mas, antes de Nick e Charlie virarem sinônimo de acolhimento para muitos adolescentes, outras obras já tinham ocupado esse lugar para quem cresceu procurando algum reflexo de si na cultura pop. Para algumas pessoas, foi uma série musical exibida na TV aberta. Para outras, um filme brasileiro visto no cinema, uma novela das nove acompanhada com a família na sala ou até uma trama caótica sobre jovens tentando entender quem eram. A CAPRICHO ouviu pessoas de diferentes idades para entender quais foram os “Heartstoppers” de outras gerações, aquelas obras que, cada uma à sua maneira, ajudaram alguém a se enxergar, se aceitar ou simplesmente imaginar que também merecia viver uma história de amor. Quando o medo era a tragédia Para Felipe , de 36 anos, assistir a romances LGBTQ+ por muito tempo vinha acompanhado de uma tensão quase automática. Ele conta que se entendeu apenas aos 24 anos e, quando viu Hoje Eu Quero Voltar Sozinho e Com Amor, Simon , ficava esperando que algo ruim acontecesse a qualquer momento. “A gente estava acostumado a sempre ver filmes gays com tragédia, alguém doente, AIDS…”, relembra. A surpresa, para ele, foi perceber que aquelas histórias podiam seguir outro caminho. Em vez de punição, havia afeto. Em vez de uma grande tragédia, havia a possibilidade de um romance adolescente ser tratado com leveza. “Eu saí pensando: como eu queria ter tido um filme desses na época do colégio”, diz. Ainda assim, foi Quinze Dias , livro de Vitor Martins adaptado recentemente para o cinema, que o atingiu de forma mais pessoal. Felipe se reconheceu em Felipe, protagonista gay e gordo da história, que foge do estereótipo do “amigo engraçado” ou do personagem usado apenas como alívio cômico. Continua após a publicidade A força de se ver em grupo Para quem cresceu no início dos anos 2010, Glee apareceu como uma porta de entrada para muitas discussões que ainda não ocupavam tanto espaço na cultura pop teen. A drag queen Kitty Kawakubo , de 30 anos, lembra que a série a marcou justamente por reunir diferentes formas de viver fora da norma esperada. “Tinha várias perspectivas sobre o que era ser LGBTQ+ e sobre querer coisas fora do padrão”, afirma. Wender Hastenreiter , de 27 anos, também cita Glee como o seu “Heartstopper”. Ele tinha cerca de 12 anos quando a série entrou em sua vida, em uma fase em que começava a perceber que não sentia pelas meninas o mesmo interesse que seus amigos demonstravam. Ver personagens como Kurt, Blaine, Santana e Brittany em jornadas de autoconhecimento fez diferença. “Foi essencial p