O que acontece quando crescemos só vendo histórias que não são as nossas?
Categoria: Relacionamentos
Talvez você não perceba, mas consumir apenas produções estrangeiras pode afetar a nossa identidade.
Por Capricho | 11/07/2026
V ocê já assistiu a um filme recente e não conseguiu se enxergar ali? A maioria das produções de sucesso no ramo cinematográfico são criações hollywoodianas. E, apesar de fazer parte de uma realidade específica, acabam servindo de espelho para milhares de pessoas ao redor do mundo inteiro. No ano passado, eu assisti ao TED Talk da escritora e ativista Chimamanda Adichie chamado “The danger of a single story” (ou, em português, “Os perigos de uma história única”). Nele, a autora conta sobre sua infância e adolescência, sendo uma mulher nigeriana, que viveu com a cultura britânica e americana como grande espelho durante sua trajetória. “Eu convenci-me de que os livros, por sua própria natureza, tinham que ter estrangeiros e tinham que ser sobre coisas com as quais eu não podia me identificar”, destaca em sua fala. O pensamento da ativista me fez refletir sobre como a divulgação de histórias únicas ainda é muito presente no cenário atual. A maioria de nós, por exemplo, já deve ter assistido algum filme de ensino médio americano, com armários decorados, líderes de torcida e outros clichês que nos faziam achar que essa seria a realidade. Comigo não foi diferente: eu tinha certeza de que o meu ensino médio iria ser exatamente como era mostrado nas telas de cinema. Mas, quando chegou minha vez, o choque foi enorme. A minha realidade não se parecia nada com a dos adolescentes americanos, o que me deixou, sem dúvida, bem decepcionada. Além disso, a propagação de um “visual único” também ocorre. Já percebeu que os personagens de sucesso, icônicos e que servem como meta para muitos, são em sua grande maioria loiros de olhos azuis e brancos? Isso não é nada comum para um país tão miscigenado como o Brasil. O resultado são milhares de jovens brasileiros com suas autopercepções afetadas negativamente. Continua após a publicidade Apesar da existência de produções brasileiras incríveis, com atores talentosos e ricos roteiros, ainda há pensamentos como “tudo que é americano é bom” ou “os filmes brasileiros são sempre ruins”. Por quê? Além de não ser verdade, isso só nos afasta da nossa raiz, dificultando a identificação. Precisamos de filmes que ilustrem a realidade de ser brasileiro, e não apenas um ideal imaginário, como ocorre com muitos enredos americanos. Ao lerem este texto, alguns podem ter achado achar que o objetivo era trazer mais reconhecimento ao cinema brasileiro para o público de outros países, como, por exemplo, quando o filme “Ainda estou aqui” e “O Agente Secreto” foram indicado na categoria de Melhor Filme nas duas últimas edições do Oscar. Não me levem a mal, sem dúvidas, isso é algo muito importante que impulsiona a repercussão mundial de nossos filmes, mas acho que, primeiro, deveríamos focar em apreciar mais a produção cinematográfica do Brasil por si só, de brasileiros para brasileiros. + Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui . Newsletter