Fãs contam como Heartstopper mudou a forma de se enxergar
Categoria: Relacionamentos
Com o fim da história de Nick e Charlie se aproximando, jovens relembram como a série e os quadrinhos viraram refúgio
Por Capricho | 11/07/2026
C om um romance LGBTQIA+ adolescente tratado com delicadeza, Heartstopper se tornou um lugar de conforto para muitos fãs. Agora, esse ciclo está chegando ao fim: Heartstopper: Para Sempre , filme que encerra a trajetória de Nick Nelson e Charlie Spring na Netflix , estreia em 17 de julho . O longa adapta o desfecho da história criada por Alice Oseman e acompanha uma fase decisiva para o casal. Nick se prepara para ir para a universidade, enquanto Charlie passa a lidar com uma nova independência na escola. Entre mudanças, inseguranças e a possibilidade de um relacionamento à distância, a despedida promete mexer com quem acompanhou os dois desde o primeiro “oi”. Mas, antes mesmo do último capítulo, Heartstopper já tinha deixado marcas fora da ficção. Para Gabriel Belitz , de 22 anos, o primeiro contato com a história aconteceu sem grandes expectativas. Uma amiga recomendou os quadrinhos, mas ele só decidiu mergulhar de vez depois de ver as primeiras imagens de Joe Locke e Kit Connor caracterizados. “Eu vi o quão fofos eles eram juntos e percebi que precisava consumir essa história antes do lançamento”, conta. O que parecia ser apenas uma narrativa confortável acabou virando algo muito maior. Gabriel leu o primeiro volume em poucos dias, ficou preso no gancho final e logo partiu para o segundo. A identificação, no entanto, foi ficando mais profunda conforme ele conhecia melhor Charlie. Continua após a publicidade Na época em que entrou no universo de Heartstopper, Gabriel passava por um período difícil de saúde mental e se reconheceu em algumas dores do personagem, especialmente nas questões ligadas à autoestima, alimentação, autolesão e experiências de bullying e homofobia. Ele lembra que, ainda criança, foi alvo de comentários por usar uma lancheira de High School Musical na escola. Ao perceber que Charlie também carregava marcas parecidas, a relação com a obra mudou. “Eu acabei tendo uma relação muito forte com ele, não só de aproximação, mas de entender algumas das dores”, diz. Para Gabriel, acompanhar o crescimento do personagem trouxe uma nova forma de olhar para si mesmo e também para a possibilidade de viver relações mais cuidadosas. Quando ele encontra o Nick, eu pensava: eu também posso ter algo bom assim? Eu também posso ter uma relação fofa e saudável com alguém? Mudou a forma como eu olhava para mim mesmo. Gabriel Belitz Continua após a publicidade Ramon Baratella , de 23 anos, também enxerga Heartstopper como uma história importante justamente por abraçar algo que, muitas vezes, foi negado a personagens LGBTQIA+ na cultura pop: o direito ao romance fofo, simples e com final feliz. Ele lembra que, quando a série estreou, viu muitas críticas dizendo que a trama era “irreal” ou “fantasiosa demais”. Para ele, esse ponto é parte da força da obra. “Casais héteros têm mil comédias românticas em que a protagonista fica com o cara de quem gosta. Por que a comunidade LGBT também não pode ter isso?”, questiona. Ramon acredita que histórias como H