Moradia, bolsa e comida: O que estudantes da USP querem com greve
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Eles estão reivindicando melhorias na permanência estudantil, ou seja, das condições necessárias para que jovens consigam permanecer na universidade.
Por Capricho | 11/05/2026
Continua após a publicidade A imagem da Universidade de São Paulo (USP), costuma aparecer ligada à excelência acadêmica, pesquisa de ponta e prestígio, né? Se você, leitor e leitora de CAPRICHO, não entrou ainda na universidade e irá prestar vestibular esse ano, sabe também que ele é um dos mais concorridos e mesmo que você não queira estudar lá, prestar a “Fuvest” é uma obrigação. Na última semana, a universidade voltou a ser notícia, mas não por motivos apenas acadêmicos: estudantes entraram em greve para reivindicar seus direitos e lançar luz para um outro lado da vida universitária que pouco se fala: o das dificuldades para continuar estudando mesmo depois de conquistar uma vaga na maior universidade pública do país. Continua após a publicidade Mais de 100 cursos estão paralisados, incluindo os da Faculdade de Medicina da USP, e estudantes estão reivindicando melhorias na permanência estudantil, ou seja, das condições necessárias para que jovens consigam permanecer na universidade sem abandonar o curso por questões financeiras, emocionais ou estruturais. Para isso, segundo eles, é necessário aumento de bolsas (PAPFE) para o valor de um salário mínimo; reformas nas moradias (CRUSP); ampliação do restaurante universitário; precarização estrutural da universidade. A última vez que os estudantes tinham entrado em greve foi em 2023. Na ocasião, eles reivindicavam a contratação de professores e nós te contamos como foi essa história (se você não lembra, clique aqui). Desta vez, as universidades Unicamp e Unesp também se juntaram à greve. Continua após a publicidade Falta de recursos e estrutura O tema ganhou força nos últimos anos porque o perfil da universidade pública mudou. Com a ampliação das políticas de inclusão social e racial, mais estudantes de baixa renda passaram a acessar o ensino superior. Ao mesmo tempo, cresceu a pressão sobre programas de assistência estudantil. Na USP, o principal programa voltado a esse suporte é o PAPFE, o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil. Segundo dados oficiais e mais recentes da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, o edital de 2026 previa inicialmente a concessão de 2.500 auxílios permanência. Após recursos e ampliações, a universidade informou ter atendido 3.764 estudantes nas diferentes modalidades de benefício. Uma das estruturas mais simbólicas desse debate é o CRUSP, o Conjunto Residencial da USP, localizado dentro da Cidade Universitária, em São Paulo. O espaço oferece moradia gratuita para estudantes selecionados a partir de critérios socioeconômicos. Atualmente, o conjunto possui cerca de 1.600 vagas. A disputa por essas vagas ajuda a explicar por que moradia se tornou um dos temas centrais das mobilizações estudantis. Além da moradia, alimentação também pesa na rotina universitária. Nos restaurantes universitários da USP, conhecidos como “bandejões”, estudantes pagam atualmente R$ 2 pelas refeições principais e R$ 0,50 no café da manhã. Alunos contemplados pelos pr