Você não precisa ‘expulsar’ suas emoções para conseguir viver melhor
Categoria: Relacionamentos
Vídeos prometem eliminar a ansiedade em poucos minutos e transformam qualquer desconforto emocional em um problema a ser resolvido, mas não é bem assim.
Por Capricho | 16/07/2026
A ideia de que felicidade significa estar bem o tempo todo nunca esteve tão presente na vida das pessoas e, em especial, na dos adolescentes (né, leitor e leitora de CAPRICHO?). Basta abrir qualquer rede social para encontrar promessas de “zerar a ansiedade”, “parar de pensar demais” ou “eliminar pensamentos negativos” como se fossem fórmulas mágicas. Sem falar nas sugestões de consumo para que uma rotina de “autocuidado” seja iniciada. Mas especialistas em saúde mental têm chamado atenção para um efeito colateral dessa lógica: transformar emoções naturais em algo que precisa ser combatido o tempo inteiro. A discussão ganha ainda mais importância diante do aumento dos problemas de saúde mental entre a nossa galera. E os dados mostram isso: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental, e essas condições representam cerca de 15% da carga global de doenças nessa faixa etária. Ainda de acordo com a OMS, o suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Foi nesse contexto que a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da OMS para as Américas, lançou a versão brasileira do guia Faça o que importa em tempos de estresse . Baseado em evidências científicas e adaptado para a realidade brasileira, o material reúne cinco habilidades práticas para ajudar qualquer pessoa a lidar melhor com situações estressantes do cotidiano , sem a promessa de eliminar sentimentos como medo, ansiedade ou tristeza. “O guia parte de um princípio importante: o estresse faz parte da vida. O objetivo não é impedir que ele exista, mas oferecer ferramentas para que as pessoas consigam responder a essas situações de uma forma mais saudável”, explica a publicação. O material foi desenvolvido para qualquer pessoa que esteja vivendo situações de estresse, de familiares e estudantes a profissionais de saúde, e reforça que as técnicas podem ser praticadas em poucos minutos por dia. O problema não é sentir ansiedade, não Um dos conceitos centrais do guia pode parecer estranho no princípio: o sofrimento nem sempre vem da emoção em si, mas da tentativa constante de controlá-la. Em outras palavras, sentir ansiedade antes de uma prova, medo ao começar um estágio ou tristeza depois de um término não significa necessariamente que existe algo errado. Significa que você está perfeitamente em estado normal e passando por um momento temporário em relação às situações em que está vivendo. Continua após a publicidade Essas emoções cumprem funções importantes na adaptação humana. O problema começa quando toda a energia passa a ser direcionada para evitá-las. A neuropsicóloga Marcella Bianca explica, em texto sobre repertório emocional publicado na CAPRICHO, que “repertório emocional refere-se ao conjunto de emoções, sentimentos e experiências emocionais que uma pessoa acumula ao longo da vida” . Ter um repertório emocional rico e variado significa conseg