As barreiras para garotas negras que amam outras mulheres são mais altas
Categoria: Relacionamentos
A homofobia se intersecciona com o racismo, mas e quando essa dupla de preconceitos se aplica a mulheres negras?
Por Capricho | 18/07/2026
Q uando uma garota negra deixa de performar o que o mundo espera, a sociedade, muitas vezes, retira dela o direito à sensibilidade. A artista da cena mineira do rap Iza Sabino sente isso na pele. Para ela, a falta dessa performance padrão faz com que as pessoas a empurrem para um lugar excessivamente masculino, onde até um simples aperto de mão vira um teste de força. “Por eu não performar a feminilidade, as pessoas automaticamente me masculinizam. Quando eu vou cumprimentar algum homem, por exemplo, apertam minha mão forte, acham que eu não quero um abraço, uma coisa mais sensível”, conta Iza em entrevista ao Blog da Galera. Infelizmente, esse não é um caso isolado. Para meninas negras, a feminilidade é tratada como uma virtude a ser conquistada. Historicamente, já desumanizadas e objetificadas pelo olhar racista, surge uma necessidade absurda de performar uma feminilidade padrão, para aí ser lida como “mulher de verdade” e receber a tão almejada aprovação, como um selo de pertencimento. No entanto, quando o afeto e o desejo se voltam para outra mulher, essa performance entra em colapso. Aos olhos da sociedade, amar outra garota tira o direito dessa mulher negra de ser vista como feminina: como se amar mulheres fosse incompatível com o modelo de mulher que o mundo exige. Na adolescência, tudo que os jovens querem é fazer parte. Mas também é nessa fase da vida que se iniciam as descobertas, e a sexualidade é uma delas. Uma fase assustadora é se descobrir, principalmente para meninas negras. Afinal, como elas vão se aceitar se a sociedade mal aceita elas? O medo de perder o “lugar na sociedade” soa mais alto nessa idade, e muitas vezes acaba ditando como vivem seus afetos, preferindo deixar para lá e ignorando suas vontades, considerando ser “só uma fase”. Clássico, não? Continua após a publicidade Iza ressalta que esse olhar distorcido impacta em como é tratada, nos espaços e até mesmo em relacionamentos – não o atual, Iza afirma estar bem feliz em seu relacionamento hoje. Mas muitos já esperavam que ela fosse “bruta”, e, assim, fosse também a pessoa que assume a maior parte das responsabilidades, inclusive as financeiras. “Não é porque não performamos feminilidade que tem que ser uma coisa bruta, né? A gente gosta de um dengo, de um afeto a mais, de um jeito mais delicado às vezes”, desabafa. Todo mundo tem uma trilha sonora A dificuldade de se enxergar como protagonista da própria história faz com que muitas meninas negras coloquem seus sentimentos em segundo plano. Se o mundo não oferece referências de amores entre mulheres, a tendência é achar que eles não são dignos de seriedade. Para Iza Sabino, a música foi o caminho para romper com esse silêncio. Ela lembra que, no início, sentia falta de ouvir músicas onde não precisasse “trocar o gênero” nas letras para se sentir incluída. “Eu via as mulheres cantando músicas que homens tinham escrito e elas trocavam o gênero. Não via essa representatividade nas músicas, principalmente no sertanejo, no