Falar sobre suicídio com jovens não incentiva o suicídio – pelo contrário
Categoria: Relacionamentos
Pesquisa aponta que os sinais de sofrimento são difíceis de serem reconhecidos e que os pedidos de ajuda dos jovens são negligenciados muitas vezes.
Por Capricho | 20/07/2026
O suicídio é um tema delicado, sem dúvidas. No entanto, não falar sobre ele não previne que jovens tirem a própria vida nem exclui as tristes estatísticas. Pelo contrário. Muitos casos poderiam ser evitados se o sofrimento fosse identificado antes e tratado com urgência. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal de Sergipe (UFS) ouviu 12 jovens entre 14 e 19 anos atendidos em serviços públicos de saúde mental de São Paulo para entender o que leva adolescentes a tentativas de suicídio. Entre os fatores mais citados estavam bullying, negligência emocional, discriminação, autolesão e sintomas de ansiedade e depressão. Os relatos, presentes na pesquisa, mostram que o sofrimento emocional dos jovens nessa faixa etária costuma ser resultado de vulnerabilidades acumuladas ao longo do tempo – não é algo repentino. As tentativas de suicídio ocorreram devido à presença de emoções negativas persistentes e motivadas por um impulso de se livrar da turbulência emocional. “A incapacidade de compreender a origem das emoções como raiva, desespero, angústia, tristeza e de não ter estratégias para regulá-las quando surgiam contribuiu para a tentativa de suicídio. A tentativa de suicídio é o esforço desesperado para ter o controle do comportamento e das emoções diante da realidade imposta aos adolescentes”, aponta a pesquisa. Continua após a publicidade A enfermeira Rafaela Lima Monteiro, pesquisadora da UFS e uma das autoras do estudo, explicou à Agência Einsten que acontece que “muitas dessas tentativas, por terem baixa letalidade, nunca chegaram aos serviços de saúde. Assim, o sofrimento fica invisível, sem registro e sem cuidado”. Por que os jovens em sofrimento não são ouvidos ou percebidos? Na parte em que os pesquisadores abordaram sobre pensamentos suicídas, apenas um dos 12 entrevistados reportou a escrita de uma carta de despedida. Os demais tentaram comunicar situações conflituosas vivenciadas no ambiente escolar e entre os colegas, mas não foi reconhecido como um pedido de ajuda pelos familiares e nem por professores. “Possivelmente, é difícil identificar sinais de risco de suicídio, o que pode estar relacionado aos adolescentes se sentirem incompreendidos e não expressarem seus pensamentos ou opiniões”, concluiram os estudiosos. Continua após a publicidade Os casos analisados na pesquisa brasileira mostraram também que a autolesão aparece com frequência antes das tentativas. Por isso, os pesquisadores defendem que o ato de se machucar deve ser reconhecido como um sinal de alerta, já que indica sofrimento psíquico intenso e mecanismo de habituação à dor, não apenas como um comportamento a ser corrigido. O psiquiatra Thiago Andrade Pedrosa, especialista em infância e adolescência do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita, diz que o mais importante, além da psicoterapia, orientação parental ou medicamento, é que o ad