Dor não é drama: Como identificar sinais da endometriose na adolescência
Categoria: Relacionamentos
Especialista explica por que cólicas intensas não devem ser normalizadas e como a doença pode afetar escola, saúde mental e rotina de meninas jovens.
Por Capricho | 16/05/2026
Continua após a publicidade P or muito tempo, meninas cresceram ouvindo que sentir dor forte durante a menstruação era “normal”. Faltar na escola por causa da cólica, cancelar planos ou passar horas deitada esperando o remédio fazer efeito virou quase um rito silencioso da adolescência. Mas especialistas e pesquisas recentes alertam: sofrer todos os meses não deveria fazer parte da rotina de ninguém. A endometriose, doença inflamatória crônica que afeta milhões de mulheres no mundo, pode começar ainda na adolescência e costuma ser confundida com uma TPM (Tensão Pré-Menstrual) “mais intensa”. O problema é que, quando os sintomas são minimizados, o diagnóstico demora e a qualidade de vida pode ser profundamente afetada. Continua após a publicidade “A endometriose pode começar logo nos primeiros anos depois da primeira menstruação, ainda na adolescência”, explica a ginecologista especializada em endometriose Graciela Morgado. “Por isso, ir à ginecologista cedo, sem precisar esperar o início da vida sexual, faz toda a diferença.” Quando a cólica deixa de ser “normal”? Segundo a médica, existe uma diferença importante entre um desconforto comum e uma dor que merece investigação. “Dor que te faz faltar aula, cancelar plano com as amigas, deixar o treino de lado ou que nem cede com remédio? Aí já é o seu corpo pedindo socorro”, afirma a especialista. Além das cólicas intensas, outros sinais podem indicar endometriose: fluxo menstrual muito intenso, dores que pioram ao longo do tempo, barriga inchada, desconforto durante relações sexuais e alterações intestinais no período menstrual. Por isso, fique atenta aos sinais que seu corpo te dá, ok? A dor feminina ainda é invalidada Uma das questões mais preocupantes é que muitas pacientes relatam ter ouvido, inclusive em consultas médicas, que estavam exagerando. Para Graciela, isso tem raízes antigas. “Por muito tempo a dor feminina foi tratada como ‘parte do pacote’ de ser mulher.” Continua após a publicidade Comentários como “é só uma cólica” ou “toda mulher sente isso” acabaram normalizando sintomas que poderiam indicar doenças ginecológicas. E isso tem impacto direto no tempo de diagnóstico da endometriose, que muitas vezes leva anos para acontecer. “A boa notícia é que isso está começando a mudar. A má é que ainda tem muito caminho pela frente”, afirma. Como a endometriose impacta a vida das adolescentes Muito além da dor física, a doença pode afetar diferentes áreas da vida de meninas jovens. Escola, amizades, esportes, autoestima e saúde mental entram nessa equação. “Imagina faltar prova porque a cólica não deixa você sair da cama. Não conseguir focar na aula. Largar a dança ou o vôlei porque o corpo não aguenta.” Conviver constantemente com dor também pode gerar ansiedade, irritação, tristeza e sensação de isolamento, principalmente quando as pessoas ao redor minimizam os sintomas. Por isso, a médica reforça que o tratamento precisa ir além do consultório ginecológico. Hoje, o acompanhamento cost