O seu feed também vota
Categoria: Relacionamentos
Como influencers estão moldando o que você e seus amigos pensam (e até decidindo em quem vocês irão votar em 2026).
Por Capricho | 29/07/2026
E ra 2020. Em plena pandemia, Carolline Sardá, então estudante de História no Mackenzie, passava horas no TikTok observando um fenômeno que a intrigava. Meninas de 16 e 17 anos defendiam, com convicção, que o feminismo havia destruído as famílias. Falavam sobre “energia feminina”, submissão e papéis tradicionais como se estivessem compartilhando verdades incontestáveis. “Não era um debate sofisticado”, lembra. “Era um espantalho do feminismo chegando antes de qualquer informação real.” Foi daí que ela começou a produzir conteúdo. Hoje, com canais no TikTok, Instagram e YouTube, onde fala sobre política, história e gênero, Carolline se tornou uma das principais vozes brasileiras no combate à desinformação antifeminista nas redes. Mas também aprendeu algo importante: a disputa por atenção online não acontece em condições iguais. E, em um ano eleitoral, isso ganha ainda mais peso. O que a gente sente, em números Camila Rocha, diretora científica do Centro para Imaginação Científica (CCICEBRAP) e pesquisadora do InternetLab, passou os últimos anos tentando medir algo que muitos jovens já percebiam intuitivamente: o quanto as redes sociais influenciam a forma como pensamos política. A pesquisa que coordenou sobre influenciadores, redes e política entre jovens latino-americanos reuniu grupos focais e questionários online com participantes de diferentes regiões, gêneros e raças. O resultado confirmou uma percepção crescente: para boa parte da juventude, o feed já ocupa o lugar que antes era da televisão, dos jornais ou até da escola como fonte primária de informação. Continua após a publicidade Entre os dados levantados, um chama atenção. Cerca de 27% dos jovens entrevistados consideram políticos como Bolsonaro e Nikolas Ferreira influenciadores digitais. Não apenas figuras públicas, mas criadores de conteúdo que dominam a lógica das plataformas. “Esses nomes construíram um capital online que funciona como fenômeno de rede”, explica Camila. “Mesmo quem discorda deles sabe quem são, já viu algum vídeo ou recebeu um corte no WhatsApp.” Mas a influência política nem sempre aparece de forma explícita. A pesquisa também identificou a presença recorrente de nomes ligados ao lifestyle, como Virgínia Fonseca. Para Camila, isso revela uma dinâmica importante das redes atuais. “Ela não precisa declarar apoio a um partido para comunicar valores. Mostrar determinado modelo de família, determinados hábitos ou visões de mundo também produz influência política”, explica. O ressentimento como combustível Antes de entender o papel dos algoritmos, Carolline acredita que é preciso olhar para o sentimento que alimenta muitos desses movimentos. Depois de anos estudando o crescimento do antifeminismo entre jovens, ela percebeu que masculinismo e antifeminismo feminino compartilham uma mesma raiz: o ressentimento diante de promessas que não se concretizaram. Continua após a publicidade Para muitos meninos, foi prometido um futuro de estabilidade, ascensão financeira e lideran