Falar sobre política nas redes não pode ser como ‘comer hambúrguer’
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Gustavo Lillis, de 19 anos, usa as redes sociais para falar sobre questões importantes e equilibrar acesso à informação, pensamento crítico e saúde mental.
Por Capricho | 20/05/2026
A brir o TikTok e dar de cara com um vídeo explicando a escala 6×1 ou os desdobramentos de uma guerra do outro lado do mundo não é mais raridade. Mas, em um mar de vídeos rápidos e cortes editados para viralizar, o quanto a gente realmente está aprendendo? Para a Geração Z, o acesso à informação nunca foi tão fácil e, ao mesmo tempo, a sensação de compreender o que está acontecendo nunca pareceu tão distante. Essa contradição é o que move Gustavo Lillis, de 19 anos. Estudante de jornalismo e criador de conteúdo, ele começou a gravar vídeos na adolescência para vencer a timidez e encontrar pessoas que, como ele, sentissem falta de discutir sociologia e antropologia no intervalo da escola. Hoje, o jovem observa que a internet, embora democrática, acabou resumindo demais assuntos que exigem profundidade. “Ontem mesmo, eu li uma frase bastante interessante do Fisher [Mark Fisher, pensador contemporâneo, morto em 2017]: ‘os jovens querem ler Nietzsche como se fossem pedir um hambúrguer’, ou seja, querem as coisas muito fáceis. E essa é uma questão que a internet piorou. Tudo bem que tem a vantagem de ser cada vez mais democrático, só que deixou temas complexos de uma forma muito simplista e pouco explicada”. O fenômeno do “Realismo Capitalista” na juventude Se antes a juventude era sinônimo de revolução e pé na porta, hoje o cenário é mais complexo. Existe um desânimo que vai além da preguiça: é uma sensação de que as estruturas do mundo são imutáveis. Gustavo cita o conceito de Mark Fisher, Realismo Capitalista , para explicar porque parte da juventude sente que protestar ou votar não faz tanta diferença. É como se fosse mais fácil imaginar o fim do mundo do que uma mudança real no sistema. Continua após a publicidade @gustavolillis1 #fyp #lula #politica #esquerda #capitalismo ♬ som original – Gustavo Lillis Essa percepção afeta diretamente o interesse por política. Lillis acredita que a nova geração não é desinteressada por natureza, mas desacreditada das formas atuais de participação. “Por conta desse realismo que já bateu na cabeça deles, os jovens se sentem incapazes de fazerem parte de um movimento político e mudar o que está acontecendo em suas vidas ou até na vida de outros. Eles se sentem desencorajados.” A armadilha do engajamento e a bolha da polarização Nas redes sociais, o que engaja é o grito, a ironia e o lado bem definido. Vídeos sobre o governo atual ou figuras polêmicas costumam performar muito melhor do que uma aula sobre a história das castas na Índia. O desafio de quem produz material sério é justamente fugir da “ditadura do algoritmo”, que privilegia o embate emocional em vez do contexto histórico. Continua após a publicidade Gustavo conta que recebe muitos feedbacks positivos justamente por não apostar em publicações puramente ideológicas, mas por trazer dados que ajudem o público a desenvolver o próprio discernimento. E saber que suas análises foram úteis para alguém deu um novo se