“Tô de celibato. E daí?”: Por que está tudo bem não querer transar agora
Categoria: Relacionamentos
Não iniciar ou pausar a vida sexual virou escolha para uma geração conectada demais e cansada de relações burocráticas.
Por Capricho | 02/08/2026
“ AGORA É O MOMENTO. Tem que aproveitar. Você é jovem. Livre. Cheia de hormônios trabalhando. Na flor da idade.” Ideias como essas fizeram com que a vitalidade dos 20 e poucos anos pesasse como cobrança em Nina Baiocchi, após ela passar alguns bons meses sem transar. Até que a influenciadora levou esse desconforto para uma roda de amigas e logo percebeu que ela não era um caso isolado, tampouco anormal ou bizarro. Ufa. Uma das amigas estava sem sexo há oito meses, a outra não tinha relações com alguém já fazia um ano. Caramba! Em seguida, Nina levou o mesmo questionamento aos amigos homens e concluiu que essa seca sexual não se limitava ao contexto feminino. Muitos das suas amigas e amigos também estavam escolhendo não transar e reclamavam de um cenário que parece não colaborar com a libido de ninguém – até mesmo com quem ainda não iniciou a vida sexual. “Não que só transar por transar não seja bom, mas acho que hoje as pessoas estão, cada vez mais, buscando uma conexão um pouco mais profunda. Será que vai valer a pena eu me arrumar, me depilar, pedir um uber para ir lá e ficar com essa pessoa? E o pós? O quanto eu posso me entregar?”, explica, em tom de desabafo e com bom humor, em conversa com a reportagem da CAPRICHO. As conversas do grupo de Nina se transformaram em conteúdo nas redes sociais da influenciadora, que acumula mais de 14 milhões de seguidores entre TikTok e Instagram. O vídeo, intitulado como Geração do Celibato , publicado em junho deste ano, falou em outras palavras sobre uma questão que pesquisas têm dado atenção nos últimos anos: o distanciamento dos gens Z (nascidos de 1997 a 2010) em relação à prática do sexo. De acordo com um estudo realizado na Suécia em 2024, do Instituto Karolinska em parceria com a Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, 31% dos homens e 19% das mulheres entre 18 a 24 anos não tiveram relações nos 12 meses anteriores. Ou seja, um em cada três não praticaram sexo em um período de um ano. “EU DECIDI” A diminuição de frequência sexual entre os jovens, apontada pelas pesquisas, pode ser explicada por fatores geracionais, comportamentais e sociais. De acordo com estudiosas do tema ouvidas pela CAPRICHO, as relações e a ideia de prazer se transformaram ao longo dos anos, desenhando um novo cenário sexual, quase como um “apagão sexual”. Se antes o sexo tinha como único intuito a procriação – dentro de uma relação heterossexual – agora, com uma maior aceitação de outras orientações sexuais, as novas gerações valorizam novas formas de se relacionar até por meio do sexo. Continua após a publicidade Michelle Sampaio, psicóloga especialista em sexualidade humana, acrescenta que a Geração Z e Alpha agora também têm mais fontes de prazer, além do sexo. Com a agenda cheia, viagens, estudos, hobbies e diversão com os amigos, os jovens encontram novas formas de dar vazão a libido. As meninas, que antes eram praticamente proibidas de pensar no autoprazer, agora estão se sentindo mais livres para explorar seus corpo