Boicote do BTS ao Grammy é a melhor crítica que o prêmio já recebeu
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Ao lado do fandom ARMY, grupo de k-pop reforça que não precisa de validação sobre o poder de sua música.
Por Capricho | 02/08/2026
D ecidimos não inscrever nossa música no Grammy este ano. Esperamos que a música possa ser ouvida e receber amor por si só, sem ser dividida por região ou idioma. Agradecemos aos ARMYs e a todos que estão sempre conosco”. Esse foi o comunicado compartilhado esta semana pelos integrantes do grupo BTS no Instagram. Durante anos, o Grammy foi tratado pelo grupo de k-pop como o grande objetivo internacional da carreira. O BTS fez campanha, participou da cerimônia, apresentou performances históricas e até recebeu indicações que ajudaram a abrir portas para mais artistas asiáticos no mercado global. Mas nunca venceu. Agora, justamente quando a Recording Academy cria uma categoria que parecia feita sob medida para eles, Melhor Performance de Música Pop Asiática , o septeto decidiu não inscrever o álbum ARIRANG nem qualquer uma de suas músicas para a edição de 2027. É um gesto simbólico que vai muito além de uma premiação: se trata de um questionamento sobre como o Ocidente ainda enxerga a música produzida na Ásia. A justificativa apresentada pelo grupo composto por Jin, RM, Jimin, Jung Kook, j-hope, V e Suga é simples e difícil de contestar. Em comunicado conjunto, os sete afirmaram que desejam que sua música seja apreciada além do idioma e não separada por origem geográfica. RM reforçou esse sentimento ao lembrar que, no início da carreira, conquistar um Grammy era um sonho coletivo, mas que hoje a prioridade é outra. O prêmio deixou de ser uma validação necessária. Continua após a publicidade O problema nunca foi a existência de uma categoria dedicada à música asiática. O problema é o contexto em que ela foi criada . Há décadas, artistas latinos, africanos e asiáticos denunciam que suas obras frequentemente são tratadas como música internacional, independentemente do impacto global que alcançam. No caso do BTS, essa discussão ganha outra dimensão porque estamos falando de um grupo que não é apenas um fenômeno regional. Eles lideraram a Billboard Hot 100 diversas vezes, venderam milhões de discos, lotaram estádios pelo mundo inteiro e ajudaram a redefinir o conceito de pop global. Quando um artista desse porte passa a ter uma categoria específica baseada em sua origem (como acabou de acontecer com Bad Bunny), a pergunta é: isso amplia possibilidades ou cria um teto? A Recording Academy argumenta que a nova categoria foi criada para reconhecer o crescimento extraordinário do pop asiático e que ela não impede artistas de concorrerem às categorias gerais, como Álbum do Ano ou Gravação do Ano. Harvey Mason Jr., CEO do Grammy, afirmou que o objetivo é ampliar a representatividade, não limitar artistas. Tecnicamente, ele está correto. Mas inclusão não acontece apenas pelas regras, ela também depende da mensagem transmitida. Continua após a publicidade É curioso perceber que o Grammy não possui categorias equivalentes para melhor música pop europeia ou melhor música pop norte-americana. Quando apenas determinados mercados recebem um espaço separado, a i