Estas dúvidas podem fazer parte da descoberta da sua bissexualidade também
Categoria: Relacionamentos
Psicólogo responde leitor de 16 anos que se identifica como bi, mas vive em uma sociedade em que a heterossexualidade ainda é tida como o caminho certo.
Por Capricho | 08/08/2026
U m leitor de 16 anos enviou uma mensagem ao SOS Sexo da CAPRICHO, que pode representar o sentimento de muitos outros jovens que nos lêem por aqui. Ele diz que é bissexual – “ ou pelo menos é assim que me identifico hoje”, observa –, mas vive cercado de dúvidas porque as pessoas que estão ao seu redor acabam invalidando sua sexualidade. Pedimos ajuda ao Psicólogo L(G)BTQIA+ Júnior Costa , pós-graduando em Gênero e Sexualidade, para responder as questões levantadas por este e tantos outros jovens sobre a pressão de definir quem é e do que gosta. Ele ressalta que, durante a adolescência, há uma série de mudanção não só no corpo; “ muda também a forma como nos enxergamos, como nos relacionamos com os outros e como começamos a construir nossa própria identidade”. “É uma fase em que passamos a nos perguntar quem somos, o que desejamos e como queremos viver nossas relações. Por isso, é natural que surjam dúvidas, inseguranças e até mudanças na maneira como compreendemos a nós mesmos”, explica. “Para pessoas LGBTQIA+, esse processo pode ser um pouco mais desafiador, porque crescemos em uma sociedade que, por muito tempo, apresentou a heterossexualidade como o único caminho possível e esperado”, acrescenta Júnior. A seguir, o psicólogo destrincha questão por questão trazida no depoimento do jovem. Confira! Leitor: Desde pequeno sempre senti atração por homens e também já me apaixonei e senti atração por mulheres. Hoje em dia, porém, percebo que sinto muito mais interesse por homens. Isso significa que eu continuo sendo bissexual ou isso poderia significar que eu sou gay? Existe algum momento em que a pessoa “deixa de ser bi” por sentir mais atração por um gênero do que pelo outro? Psicólogo Júnior Costa: Mesmo com todos os avanços conquistados pelo movimento LGBTQIA+, ainda recebemos muitas mensagens dizendo como deveríamos amar, agir ou nos comportar. Quando percebemos que nosso desejo não corresponde a esse modelo, é comum surgirem muitas perguntas. Uma delas é justamente: “Afinal, eu sou bi ou sou gay?” Continua após a publicidade Existe uma ideia muito comum de que a orientação sexual seria algo totalmente pronta desde o nascimento, como se cada pessoa já viesse ao mundo “programada” para desejar apenas homens ou apenas mulheres. A psicanálise (que é onde baseio meus estudos sobre gênero e sexualidade) propõe uma compreensão um pouco diferente. Ela entende que a sexualidade humana vai se constituindo ao longo da vida, de maneira singular, por meio das nossas experiências, identificações, fantasias e, principalmente, de processos inconscientes. Isso não significa que a orientação sexual seja uma escolha ou algo que possa ser mudado pela vontade (importante destacar essa parte). Significa apenas que ela faz parte da construção subjetiva de cada pessoa. Por isso, não existe um teste capaz de dizer quem é bissexual, gay, lésbica ou heterossexual. Os nomes que usamos para definir nossa orientação