O Diabo Veste Prada 2 é, na real, um documentário sobre o jornalismo
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Entenda o 'News Avoidance', fenômeno retratado no filme, e descubra por que você pode estar mais desinformado do que imagina.
Por Capricho | 23/05/2026
Q uando foi a última vez que você foi atrás de uma notícia por pura e espontânea vontade, sem ser bombardeada por posts sensacionalistas no feed? Se a resposta foi “há muito tempo” ou um grande ponto de interrogação na cabeça, fica tranquila: você não é a única. Os dados do Painel TIC 2025 do Cetic jogam essa realidade na nossa cara: 65% dos usuários de internet com 16 anos ou mais consomem notícias diariamente. Desses, 69% declararam zero interesse no que viram. Ou seja: as pessoas vêm notícias, mas nem querem ver. Isso acontece porque a gente “tropeça” nelas nas redes, sem ao menos buscar a informação na íntegra. E quando o consumo é assim — sem intenção, sem atenção — a gente ignora qualidade e veracidade. Dá uma olhadinha rápida na tela e segue o scroll, sem checar fonte nenhuma. Com o avanço da tecnologia, o jornalismo foi para o digital e isso faz todo sentido, né? Revistas e jornais que enchiam as bancas viraram sites e blogs, prometendo informação fresquinha de qualquer lugar do mundo. Aí vieram as redes sociais. O que era papel virou texto digitalizado, e o que era texto digitalizado virou post e vídeo de 30 segundos. Todos com o mesmo objetivo: passar informação (cá entre nós, nem sempre verdadeira, mas informação do mesmo jeito). O Diabo Veste Prada 2 é como um jornal vivo retratando exatamente esse cenário. O filme é uma crítica escancarada à dependência do algoritmo que a digitalização do jornalismo provocou e o resultado é um mundo em que ninguém mais consome notícia na íntegra. Um carrossel de Instagram já sacia toda a curiosidade. E aí a vontade de buscar uma reportagem de verdade vai sumindo, porque a gente se sente satisfeita, mesmo sem saber a história completa. Continua após a publicidade Mas isso tem nome: “ News Avoidance” . E eu te explico o que ele é: em tradução livre, significa “evitação de notícias”. Mas não rola encarar isso como acusação de alienação, tá? O fenômeno acontece porque o algoritmo faz tudo mastigado pra gente. Antes de você ir atrás de uma reportagem de 5 páginas, seu celular já te bombardeou com notificações do que aconteceu no mundo. O problema maior é quando esse “News Avoidance” começa a interferir na sua capacidade de pensar por si só. Vamos fazer um exercício: quando você fica cara a cara com a tela, quem está escolhendo o que você precisa saber? O algoritmo. Os códigos por trás dos apps pra te manter ali, imersa na turbulência de informações, muitas vezes consumindo conteúdo que nem trabalha com fatos. Assim como a revista Runway em O Diabo Veste Prada 2 migra para a internet, o jornalismo não vai voltar pro papel. E as redes sociais vão continuar sendo a principal porta de entrada para o que acontece no mundo. Mas isso não significa que o feed precisa ser o destino final da informação. Ninguém gosta de ser manipulado, né? Então, da próxima vez que uma notícia chocante cair de para-quedas na sua tela, você assume o comando: vai lá conferir se a informação é verdadeira; leia