‘Quando votar, faça por você e por mim?’: O pedido de uma jovem de 15 anos
Categoria: Relacionamentos
Escolhas feitas nas urnas também atravessam a vida de meninas que ainda não podem votar, sabia?
Por Capricho | 10/08/2026
N a parede do meu quarto, há uma frase da minha escritora favorita: “ Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome”, de Clarice Lispector. Todas as vezes que a leio em voz alta enquanto me arrumo, penso no que realmente quero e, talvez, em como é finalmente se sentir livre. Se é que somos. Aos 15 anos, posso ainda não saber definir a liberdade em termos concretos, mas me lembro exatamente de quando a senti. Eu dançava com uma amiga nos bastidores do teatro. Dávamos giros, ríamos e cantávamos Girls Just Want to Have Fun até perder o fôlego. Quando a música acabou, ela me contou que havia tirado o título de eleitor. Estava feliz e, ao mesmo tempo, assustada. Tinha medo de errar politicamente pela primeira vez, de confiar seus ideais à pessoa errada e passar os quatro anos seguintes com a sensação de ter ajudado a construir um governo capaz de determinar que vida é mais digna do que outra. Ainda sinto o impacto das palavras de alguém que levava aquele ato tão a sério. De repente, a música que tantas meninas e mulheres cantam como um hino à diversão, aos desejos e aos sonhos ganhou um gosto mais amargo. O gosto de perceber, aos 15 anos, que as mulheres no Brasil não estão apenas se divertindo: estamos carregando o peso de direitos que ainda precisam ser defendidos. Continua após a publicidade O voto importa para quem? <span class="hidden">–</span> Agência Brasil/Reprodução Como uma jovem ativista pela participação política de meninas e mulheres, já perdi as contas de quantas vezes ouvi que essa luta nem era tão importante assim porque “meninas e mulheres não entendem de política”. A frase carrega uma contradição. Enquanto nos ensinam sobre os cuidados da casa, da família e até dos namoradinhos na escola, somos incentivadas a cuidar do privado, não do mundo. Nos ensinaram a ser damas de companhia, e não as mulheres que escrevem as leis da própria liberdade. Continua após a publicidade Lembro da Barbie da minha infância. Ela era presidente antes mesmo de eu entender o que um presidente fazia. Era cientista antes de eu saber o que era um laboratório. Sempre achei curioso que minhas Barbies ocupassem mais profissões do que muitas mulheres que eu via na política. Na infância, parecia óbvio que poderíamos ser tudo. A adolescência me ensinou que o verdadeiro desafio não era sonhar com esses lugares, mas conseguir chegar até eles. Quando eu ainda era criança, minha primeira percepção das eleições veio de dentro de casa. Foi quando comecei a entender que minha mãe tinha um papel que ia além do cuidado comigo: suas escolhas também tinham relação com o mundo lá fora. Políticas públicas e decisões de governo poderiam afetar a comida que chegava à nossa mesa, os momentos de lazer que teríamos juntas e até a qualidade de vida da nossa família. Para mim, isso importava. Então, o voto dela importava. Quando passei a compreender melhor o poder do voto e das nossas escolhas, percebi que a Barbie representava a imaginação dos muitos lu