SHURY transforma suas vivências em um dos EPs mais interessantes do ano
Categoria: Relacionamentos
Em entrevista à CAPRICHO, rapper fala sobre identidade, mulheres no rap e as inspirações por trás de “Código de Rua”
Por Capricho | 27/05/2026
D a Baixada Fluminense para uma das vozes mais promissoras do rap nacional, SHURY faz questão de transformar cada experiência vivida em música, mesmo quando elas vêm de lugares dolorosos. Em entrevista à CAPRICHO , a artista carioca abriu o coração sobre o processo de criação de Código de Rua , seu primeiro EP, falou sobre a dualidade entre Sabrina e SHURY e refletiu sobre o espaço que mulheres pretas e periféricas vêm conquistando dentro do rap. Com uma estética que mistura boom bap, funk, trap e rap de protesto, Código de Rua funciona quase como um diário musical da artista. As cinco faixas mergulham em temas como violência, amor, amizade, fé e sobrevivência, tudo atravessado pelas vivências de quem cresceu na Baixada. E, para SHURY, separar a artista da mulher por trás dela nunca foi o objetivo. “Eu sempre me apresentei para as pessoas como SHURY, mas eu nunca falei da Sabrina abertamente”, contou à CH. “Eu queria que as pessoas conhecessem mais da Sabrina. Não quero diferenciar porque eu acho que uma complementa a outra. A Sabrina é uma escada para a SHURYacontecer.” View this post on Instagram Continua após a publicidade A conexão da rapper com a música vem desde a infância. Ela relembra que suas primeiras referências nasceram dentro de casa, principalmente pela influência da mãe e dos tios que ouviam rap nos encontros de família. “Minha primeira referência na vida é a minha mãe. Ela veio do charme e sempre tentou manter eu e meu irmão conectados com a arte”, disse. Entre os sons que marcaram sua formação estavam nomes como Racionais MC’s , Nega Gizza e Kmila CDD . O próprio nome artístico também carrega uma referência afetiva e pop. A rapper contou que a ideia surgiu depois de assistir ao filme Pantera Negra . “As pessoas sempre falaram que eu parecia muito com a Shuri”, explicou, citando a personagem da franquia da Marvel. “Eu sempre gostei da personagem também. E aí adaptei esse nome para mim.” Apesar de estar oficialmente na estrada há cinco anos, SHURY já coleciona momentos importantes na carreira — incluindo colaborações com LARINHX e participações em plataformas internacionais como o On The Radar Radio. Mas um dos momentos que mais mexeram com ela veio justamente do reconhecimento dentro da cena nacional. “Nunca pensei que o Mano Brown estaria vendo meu trabalho”, revelou. A artista também falou sobre o carinho do público por Sacanagem , seu primeiro lançamento. “A galera canta até hoje. Envelheceu como vinho na boca das pessoas”, brincou. Continua após a publicidade Ao longo da conversa, SHURY fez um faixa a faixa de Código de Rua e explicou como cada música nasce de experiências reais. Do Lado de Cá , parceria com MC Martina , foi pensada para abrir o EP de maneira intensa e política. “Eu queria trazer uma realidade mais crua sobre onde eu vim e transformar isso em uma mensagem coletiva”, contou. Já Os 100 surgiu a partir de um episódio delicado da vida da artista, quando ela precisou provar sua inocência após ser acusa