Em ‘Força da Juventude’, Os Garotin querem fazer a nova geração acordar
Categoria: Relacionamentos
Em entrevista à CAPRICHO, trio fala sobre espiritualidade criativa, humor como motor da vida e o novo disco que transforma juventude em chamado
Por Capricho | 30/05/2026
S e a juventude fosse só uma fase da vida, Os Garotin provavelmente não estariam tão interessados nela. Mas em Força da Juventude , novo álbum do trio vencedor do Grammy Latino 2024, ela vira provocação. O disco, que reúne 13 faixas e colaborações com nomes como Liniker , Marina Sena , BK’ , Lenine e Arthur Verocai , parte do conceito de juventude como modo de existir no mundo . “É mais um chamado do que uma contemplação”, define Cupertino sobre o conceito da faixa-título, que acabou batizando o projeto inteiro. E a escolha não veio de um plano fechado. Pelo contrário, nasceu do acaso criativo. “A gente estava terminando de gravar o primeiro disco e já começando o segundo. Eu fiz esse refrão e pensei: ‘isso aqui tem muita cara da gente’. Mostrei pros meninos e eles piraram. Depois a gente terminou juntos e começou a pensar no nome do disco”, conta Léo Guima . Antes de bater o martelo, outras ideias circularam, mas nenhuma parecia tão certeira quanto essa. A música nasce de um jeito muito misterioso. Às vezes é espiritual mesmo. Se a gente tentasse forçar o conceito, não ia funcionar. Ela precisa vir primeiro e direcionar a gente. Cupertino Esse “deixar vir” também define a forma como Os Garotin constroem suas músicas. Antes da produção, tudo começa na composição coletiva, em um ambiente leve e, claro, com muita risada. Continua após a publicidade “A gente gosta muito disso: rir, ser a gente mesmo, jogar videogame, futebol…”, diz Léo. Cupertino vai além e transforma o humor em filosofia: “O sentido da vida passa muito por isso. A gente precisa gargalhar todo dia. Se não tem riso, não tem sentido.” Mas, por trás da leveza, existe também uma camada de espiritualidade e entrega total à música. “Quando eu sinto que as ideias chegam e tocam as pessoas, eu sinto que estou alinhado com algo maior. Pra mim, isso é espiritualidade”, afirma Cupertino. Hoje eu me vejo como um servo da música. Eu faço o que ela mandar. Léo Guima Essa entrega aparece também na forma como o trio encara o chamado “fantasma do segundo álbum”, especialmente depois do reconhecimento internacional. Para eles, no entanto, a pressão não paralisa. “A gente se diverte muito, e as músicas vão surgindo naturalmente. Eu não fico pensando em mercado, eu confio nesse canal criativo que se abre”, diz Léo. Continua após a publicidade Surgir é muito mais legal, mas se manter é o mais difícil. Anchietx Se o disco fala sobre juventude, ele também fala sobre urgência. Para Cupertino, a ideia central não é celebrar a juventude de forma ingênua, mas provocar responsabilidade. “A ideia não é uma celebração da juventude como festa. É quase uma cobrança. Um esporro na nossa geração. Uma autocrítica mesmo. A gente ainda pode sonhar, mas isso exige esforço. Não é só talento. É trabalho. É se levantar e ocupar esse espaço”, diz. Ele também aponta referências contemporâneas desse movimento, citando artistas como Liniker, Marina Sena e Anitta como exemplos de força e ocupação cultural.