E se ser fã for uma das formas mais bonitas de se encontrar?
Categoria: Relacionamentos
Para muitas pessoas, o vínculo com o ídolo é mais do que entretenimento. É uma espécie de refúgio.
Por Capricho | 29/08/2026
C rescer sendo fã nunca foi algo pequeno. Muito antes de qualquer algoritmo sugerir gostos ou tendências definirem o que está em alta, já existia aquele instante íntimo em que uma música parecia traduzir aquilo que a gente nunca conseguia explicar, ou quando uma série oferecia um tipo de compreensão que nem sempre vinha das pessoas ao nosso redor. Ser fã é, antes de tudo, um vínculo. A gente espera o álbum novo, a entrevista, o anúncio da turnê — torcendo pra ser perto da gente. Espera o episódio, a nova temporada, a confirmação de que aquela história continua. Para muitas pessoas, esse vínculo é mais do que entretenimento. É uma espécie de refúgio. Nem todo mundo cresceu cercado de referências próximas ou de ambientes onde fosse possível se reconhecer com facilidade, especialmente em contextos mais afastados dos grandes centros metropolitanos onde o acesso à informação e referências são mais acessíveis. A arte, então, atravessa distâncias e oferece aquilo que faltava: identificação, inspiração e pertencimento. Desde cedo, surge esse impulso quase automático de olhar para alguém e perceber ali um caminho possível. É uma admiração leve, construída no afeto. Ao longo desse processo, algo essencial acontece: aprende-se a gostar e entender mais de si e a sensação de inadequação desaparece. O que antes parecia exagero ou deslocamento ganha sentido. Continua após a publicidade Revisitar músicas antigas, anos depois, e perceber que elas já não dizem exatamente a mesma coisa ou talvez digam ainda mais. Mostra que a relação com a arte não é fixa. Enquanto quem escuta cresce, muda, amadurece, os próprios artistas também atravessam fases e criam novas eras. Foi assim comigo e com ANAVITÓRIA. Eu lembro de escutar “Pupila” pela primeira vez quando tinha uns 10 ou 11 anos. Na época, eu achava a música mais fofa do mundo e fui me apaixonando por outras que vieram. De uns anos pra cá, meus plays no Spotify voltaram naturalmente para as músicas delas, mas agora com outros sentidos. As canções não eram mais as mesmas — ou eu já não era mais a mesma. Até detalhes simples, como o cabelo da Vitória, me fizeram enxergar algo. O volume dos meus cachos deixou de ser um incômodo. Passei a olhar para mim com menos rigidez. Continua após a publicidade Chegando perto dos 18, a turnê “Esquinas” foi como um presente. Ver a Ana e a Vitória ao vivo foi realizar um sonho antigo. Quando eu finalmente vi elas ali na minha frente, olhando do meu olho e até consegui na mão delas, foi como um reencontro das fases da minha vida. E também foi sobre todas as outras pessoas ali, compartilhando o mesmo carinho, a mesma história e a mesma conexão com aquilo que elas representam. Às vezes é estranho imaginar alguém que não aprecia nada. Não precisa ser algo obsessivo, intenso o tempo todo, mas ter algo que desperte interesse, que mova, que conecte. É difícil pensar em uma vivência completamente neutra, sem esse tipo de vínculo. Continua após a publicidade Em meio a uma cultura acelerada, ma