Aprendi que existem jeitos de falar de suicídio sem causar mais dor
Categoria: Relacionamentos
Tão importante quanto falar sobre o tema é entender como falar sobre ele.
Por Capricho | 04/06/2026
Q uando a gente pensa em falar sobre prevenção ao suicídio , é comum imaginar que psicólogos, psiquiatras, escolas ou hospitais precisam fazer parte da conversa, né? Afinal, essa é uma questão de saúde pública e que, de forma geral, afeta as pessoas em a nível global, de maneiras muito diferentes: a vida e a morte não tem o mesmo significado para todo mundo. Mas uma das coisas mais importantes que aprendi em uma oficina sobre Comunicação Responsável para a Prevenção do Suicídio, promovida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), em Brasília, entre os dias 1 e 2 de junho, foi que jornalistas, criadores de conteúdo e pessoas comuns também têm um papel fundamental nesse debate. Isso, princiapalmente, porque a forma como falamos sobre suicídio – em uma notícia, reportagem ou até conteúdo nas redes sociais, e como esquecer de séries e filmes, né? – pode influenciar a maneira como outras pessoas entendem o tema, buscam ajuda ou lidam com o próprio sofrimento. Oiê, tá tudo bem? E ei, antes de continuar a ler esse texto, leitor e leitora de CAPRICHO, a nossa reportagem gostaria de te contar que esse é um assunto delicado e difícil de ser abordado e que está tudo bem se você não quiser continuar a leitura, ok? Não sabemos se você brigou com alguém ontem, se está passando por um momento de ansiedade ou pressão antes de uma prova, por exemplo. É real e está tudo bem. Talvez você não saiba, mas o problema é gigante. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. Entre jovens de 15 a 29 anos – ou seja, a nossa galera – ele está entre as principais causas de morte. Já entre adolescentes de 15 a 19 anos, o suicídio é a terceira principal causa de morte. No contexto do Brasil e América Latina, os dados também mostram um cenário difícil de encarar. A taxa de suicídio entre crianças, adolescentes e jovens cresceu entre 2011 e 2022. No mesmo período, os registros de autolesão também aumentaram significativamente. Continua após a publicidade Estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), realizado com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Brasil (SIM/SUS) entre os anos 2000 e 2022, mostram que na faixa etária entre 10 e 19 anos, o aumento dos suicídios no período aumentou em 53 vezes. Ou seja: o crescimento de suicídios entre os jovens é maior do que nas outras faixas etárias, com uma tendência muito mais intensa entre os mais novos. Ou seja, a galera mais nova – provavelmente seus amigos, colegas e conhecidos – sofrem mais e passam a não enxergar a continuar a viver em um mundo que está em crise seja dentro ou fora das telas. Pedir ajuda não é tão complexo quanto parece. Entenda como funciona o CVV O silêncio não protege ninguém Ainda hoje, é verdade: o suicídio é tratado como um tabu, um assunto escondido nas famílias, evitado em escolas e muitas vezes ignorado pela imprensa. “A ideia era que não falar sobre o tema impediria que ele acontecesse. Mas isso nunca foi