Por que a indústria da beleza está obcecada pela nostalgia?
Categoria: Relacionamentos
Elyse Reneau, diretora global de maquiagem da Too Faced, conversa com a CAPRICHO sobre o sucesso de produtos que resgatam memórias afetivas
Por Capricho | 09/09/2026
A nostalgia se tornou, nos últimos anos, uma das principais estratégias das indústrias de moda e beleza para manter viva uma poderosa conexão entre marca e consumidores. Produtos com cheirinho, estética anos 2000, inspirados em filmes e séries que evocam memórias afetivas… Tudo isso faz parte desse movimento bem-sucedido que fortalece o engajamento do público e transforma lembranças em desejo. Para entender esse cenário, a CAPRICHO conversou com Elyse Reneau , diretora global de maquiagem da Too Faced , marca que também mergulha nessa tendência e, agora, aposta na ‘ Peach Collection ‘, com produtos que fazem uma releitura da linha original lançada em 2016 e chegam ao e-commerce próprio e lojas da Sephora Brasil nesta terça-feira (9). “Todos nós procuramos coisas que nos emocionem novamente. O universo da beleza se tornou muito rápido e sofisticado, mas, às vezes, nessa corrida pelo ingrediente mais atual ou pela próxima tendência viral, nós esquecemos que a maquiagem deve ser divertida”, declara a especialista. Quando maquiagem vira memória A maquiadora da Too Faced explica como a nostalgia virou um grande trunfo para o mercado da beleza. “Os produtos que despertam nostalgia nas pessoas geralmente trazem um sentimento a elas. Elas lembram onde estavam, quem eram, que música estavam ouvindo e o quão empolgadas estavam para abrir a paleta ‘Peach’ pela primeira vez.” Continua após a publicidade É como se a maquiagem funcionasse como uma cápsula do tempo capaz de transportar alguém de volta para uma versão anterior de si mesmo. “A oportunidade não é simplesmente trazer algo de volta. É perguntar: o que as pessoas amavam nisso e como fazê-las se apaixonar de novo?”, afirma. Para conectar nostalgia e inovação contemporânea, o segredo, segundo Elyse, é ‘ preservar a magia e atualizar a maquiagem ‘. “A linha Peach tem características que são quase sagradas. O cheiro, as cores, a sensação deliciosa de tudo aquilo. Não se mexe naquilo que provoca o apego emocional das pessoas.” “Eu sempre digo que não quero que pareça que encontramos aquele seu antigo nécessaire de maquiagem de 2016. Quero que a sensação seja a de uma versão renovada e radiante da sua lembrança favorita”, completa. Continua após a publicidade Ou seja, revisitar um produto do passado não significa necessariamente reproduzi-lo exatamente como era. O desafio está em conservar os elementos que despertam reconhecimento e afeto, enquanto se atualizam fórmulas, texturas e tecnologias para o consumidor de hoje. A nostalgia vai durar? Por tratar-se de um sentimento que toca no coração, a nostalgia virou aposta infalível da indústria da beleza. Mas será que essa estratégica tem futuro ou pode, como outras tendências em excesso, levar à exaustão? “Eu acho que as pessoas vão acabar se cansando da nostalgia que é preguiçosa”, opina a especialista. “Se você simplesmente traz algo de vo