Estúdio Traça imagina o futuro da moda a partir do que já existe
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Na coleção Zanzalá, Gui Amorim transforma jeans reaproveitado em 25 looks que conectam a história industrial de Cubatão à ficção científica brasileira.
Por Capricho | 16/09/2026
O Estúdio Traça levou para a Casa de Cultura Oswald de Andrade, em São Paulo, um futuro que, curiosamente, começa no passado. Em Zanzalá, nova coleção da marca de upcycling criada pelo estilista Gui Amorim, o jeans é desconstruído para contar uma história que mistura memória, indústria, natureza e ficção científica brasileira. O desfile aconteceu nesta terça-feira (15). Ao todo, 25 looks foram apresentados no desfile, todos desenvolvidos a partir de peças do acervo e do estoque da Levi’s. Nas mãos de Gui, o denim ganha novos cortes, proporções e volumes, em um exercício de desconstrução que transforma materiais já existentes em novas roupas. A parceria entre o Estúdio Traça e a marca de jeans já dura dois anos. Mas é em Cubatão, cidade natal do estilista na Baixada Santista, que está o ponto de partida de Zanzalá. Conhecida historicamente por seu polo industrial, a cidade também passou por um importante processo de recuperação ambiental. É justamente desse contraste, entre estruturas industriais e uma natureza que voltou a ocupar espaço, que surge parte do imaginário da coleção. Desfile da coleção Zanzalá, do Estúdio Traça, em São Paulo. Estudio Traça/Divulgação Continua após a publicidade A outra referência está na literatura. O nome vem de Zanzalá , obra de Afonso Schmidt publicada a partir de 1928 e considerada uma das pioneiras da ficção científica brasileira. No livro, o escritor imaginava uma sociedade cem anos no futuro, chegando justamente ao período que vivemos agora. “Cubatão carrega esse contraste forte entre o peso do polo industrial ao lado de uma natureza que se regenerou e virou exemplo. Quando li o livro do Afonso Schmidt e vi que ele previa exatamente o tempo que vivemos hoje, soube que a coleção nascia ali”, explica Gui. Para ele, a proposta é provocar um encontro entre tempos diferentes e mostrar que aquilo que foi descartado ainda pode ganhar uma nova existência. E como se veste o futuro, então? Desfile da coleção Zanzalá, do Estúdio Traça, em São Paulo. Estudio Traça/Divulgação Continua após a publicidade Em Zanzalá, a resposta passa menos por inventar um material mirabolante e mais por reimaginar aquilo que já existe. O jeans, uma das matérias-primas mais tradicionais e reconhecíveis da moda, vira terreno para experimentações de silhueta e volume. A escolha faz sentido dentro da trajetória do Estúdio Traça. Fundada em 2016 e com ateliê no Bom Retiro, em São Paulo, a marca tem o upcycling como base de seu trabalho, especialmente a transformação de denim descartado pela indústria têxtil. Sai de cena a ideia de que uma roupa precisa nascer de uma matéria-prima nova para parecer nova. Entram recortes, reconstruções e mudanças de forma capazes de dar outra identidade ao que poderia ter virado resíduo. É uma lógica que conversa diretamente com o conceito da coleção. Afinal, se a ficção científica costuma perguntar como será o mundo daqui para frente, Zanzalá leva essa pergunta para o guarda-roupa: e se a roupa do futuro estiver se