Explicando o fenômeno Milo J, jovem argentino que lotou shows em São Paulo
Categoria: Relacionamentos
Aos 19 anos, artista desembarcou no país para três apresentações em quatro dias e encontrou uma plateia que sabia até suas rimas mais rápidas de cor
Por Capricho | 17/09/2026
C hovia bastante em São Paulo e faltava pouco para Milo J subir ao palco da Audio. Mesmo assim, a fila do lado de fora da casa ainda estava lotada. Entre capas de chuva e taxistas perguntando de quem era o show , uma coisa ficava evidente antes mesmo do espetáculo começar: o argentino de 19 anos já construiu por aqui um público bem maior do que talvez parecesse para quem ainda não tinha entrado em sua bolha. Lá dentro, na grade, uma criança acompanhada da mãe esperava pelo show e, mais tarde, conseguiu levar para casa a folha com a setlist. Perto dali, uma fã tinha ido vestida com um look inspirado em um dos integrantes da Agarrate Catalina , murga uruguaia que participou do Tiny Desk de Milo lançado em abril. Ao lado da CAPRICHO , dois jovens contavam que tinham vindo de Porto Alegre só para vê-lo; outro espectador dizia ter descoberto o cantor justamente pelo vídeo da NPR e, desde então, não parado mais de ouvi-lo. Não era exatamente uma estreia tímida no Brasil. No sábado (12), Milo havia se apresentado no Palco Supernova do Rock in Rio . No dia seguinte, encarou a primeira de duas datas esgotadas na Audio, em São Paulo, dentro da programação do MUCHO! Ciudad Sonora . A segunda acontece nesta terça-feira (15), fechando uma sequência de três shows brasileiros em apenas quatro dias. Milo J em São Paulo Alexandre Mazzei/Divulgação Continua após a publicidade Quando Bajo de la Piel começou, a dimensão desse público ficou ainda mais clara. Bastaram as primeiras notas para que a plateia cantasse em um volume que se manteve durante praticamente toda a música. E não só nos refrões. Versos em espanhol e rimas rápidas eram acompanhados por boa parte da casa. É uma resposta que chama atenção dentro de um mercado em que fenômenos da música em espanhol nem sempre encontram no Brasil a mesma proporção de público que conquistam em outros países. Em 2024, por exemplo, Karol G , já uma das maiores estrelas latinas do mundo, disse à Billboard Brasil que precisava “começar do zero” por aqui. Em fevereiro deste ano, o tamanho da exposição ainda fez diferença até para Bad Bunny : após seu show no intervalo do Super Bowl, as reproduções de seu catálogo no Spotify brasileiro cresceram 426% . Do trap ao folclore latino-americano Nascido em Morón, na província de Buenos Aires, Camilo Joaquín Villarruel começou a ganhar espaço na cena urbana ainda adolescente. Seu som parte do rap e do trap, mas há tempos deixou de caber somente nesses gêneros: folk, baladas e ritmos tradicionais argentinos passaram a ocupar cada vez mais espaço em sua música. Continua após a publicidade O Tiny Desk lançado pela NPR Music em 30 de abril talvez seja a representação mais evidente dessa mistura. Em pouco mais de 16 minutos, Milo aparece cercado por charango, tiple, violino, flauta, percussão e instrumentos de sopro andinos, além das vozes da Agarrate Catalina. O repertório ainda passa por músicas como Recordé , cuestiones , Niño e a própria Bajo de la Piel . Essa mesma lógica cresce quand